terça-feira, 7 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
chamava-se alguma coisa que já nem havia memória. tinha perdido o nome. tinha perdido o rumo. era membro do colapso. tinha-se apagado de vez aí pelas ruas. sorrateiramente. ninguém sabia muito bem o porquê desse estado. talvez porque fosse invisível. talvez porque lutava contra a presença de si nas coisas. sabia que gostava de ter sido uma gota de água no meio de um oceano, sabia que isso seria o seu único remédio. já lhe tinham dito muitas vezes que uma pessoa não é mais do que isso, uma mísera gota de água, que ou se funde num mar de gente ou se evapora num ar de nada e de loucura. ele sabia disso. sabia disso com o corpo. sentia-o constantemente a assaltar-lhe o pensamento. o seu nome estava esquecido tal como ele estava esquecido. não recordava a sua voz. não recordava o olhar. estava apagado. infiltrado num sistema obscuro. pós-colapso. sabia que um dia tinha tido uma casa. e tinha tido uma causa. e tinha tido gente. sabia disso porque a memória lhe pregava rasteiras. tinha fantasmas que o invadiam nas noites e nos dias. em forma de sonho ou de visão. era atormentado pelo vazio que o obrigava a agir. nunca sabia o que havia de fazer. os membros entorpeciam-se. o chão que pisava tornava-se de repente circular como que a impulsionar a queda. era uma visão constante do amanhã que não virá. sabia de cor a sua morte. contava os dias apressadamente. tinha desenvolvido um ódio especial pelo tempo. o tempo que lhe fazia crescer as unhas. que lhe agudizava a explosão interna. que lhe expunha cada vez mais o vazio de si. já não se podia chamar pessoa. era um muro. um muro de caos e de ruído. um muro antigo. de musgo. húmido. muro prestes a cair à primeira gota de chuva do inverno seguinte. se para isso sobrevivesse ao verão ou ao outono. havia na terra muitas explicações para outros como ele. como seria possível descer a um tal ponto de nada interior? por vezes surgiam-lhe rasgos de alucinação. era criança outra vez. talvez tudo tivesse realmente começado nesse ponto. no ponto em que as crianças se apercebem de que são crianças e a meninice desaparece para sempre. talvez tivesse sido demasiado cedo. os barulhos envolventes. as descargas constantes de violência contra as paredes e contra as portas e contra os armários e contra si. porque a violência tinha sido também contra si. porque talvez não exista nada pior do que uma criança privada de sonhos. não se sabe ao certo. já tinha deixado de se sentir útil. isso já não era sequer um problema pelo qual fosse necessário meditar. era uma sombra de alguma coisa que já não era nada. nem memória havia de como era. poucos registos físicos. fotografias rasgadas. papéis espalhados em quartos e gavetas de gente. uma vida que era como um castelo de areia. muito tempo a construir para chegar ao ponto em que chega a onda com a sua leveza de água e o aniquila para sempre. era assim. no fundo sabia disso. no fundo sabia que a onda já tinha vindo e vinha e vinha e vinha cada vez mais perto até que lhe passava por cima e avançava e o cobria totalmente. sensação de afogamento. água que entra forte no corpo. respirar água. beber água. comer água. explosão dos pulmões. explosão dos olhos. explosão física. desgaste. morte. corpo que se balança na água mas que é já um balanço do nada. ao sabor da corrente. talvez a única sensação de liberdade verdadeira seja essa. quando a água controla os movimentos. é uma espécie de voltar à mãe. voltar à origem. a casa. estava descontrolado na essência. que rumo procuraria que o fizesse acordar? não tinha já nada que o prendesse. ninguém o procurava. afastado sem motivo. morto em vida. deambulava por palavras silenciosas como se um novo vocabulário existisse dentro de si. um vocabulário interno. com sons de orgãos. com sons ínfimos de músculos e de correntes sanguíneas. sons microscópicos. talvez o que precisasse noutros tempos fosse de uma mão gigante. uma mão que o pusesse noutro caminho. noutro lado qualquer do mundo. os fantasmas comiam-lhe cada vez mais o dentro. sentia-se apodrecido. era uma demência que começava a instalar-se e que não tinha solução. não possuia visões de amanhã. o seu corpo começava a definhar com uma velocidade ascendente. uma explosão que se projectava. corpo com marcas de algum tipo distinto de guerra. rosto marcado. magreza. queimado por dentro como os animais que se possuem. o nojo da posse. talvez tivesse participado numa guerra sem tréguas contra si mesmo. o maior inimigo de si. uma guerra que só poderia acabar com a morte de um dos lados que eram o mesmo. como todas as guerras. nenhuma guerra tem lados. o oceano é o mesmo. seria uma guerra suicida contra os demónios. mas que demónios? não seriam apenas sucessões constantes de mal entendidos? como todos os demónios? como todos os fantasmas afinal o são. quando não se resolve a vida qual será o motivo mais real de todos? a não ser o mal entendido que cada vez vai crescendo mais e mais e mais. um mal entendido que é uma espécie de cancro que fica a carburar lentamente na cabeça até à explosão da carne. mas quem seria afinal esta amostra de homem que caminhava pelas ruas sem direcção em vista? sem rumo. sem orientação. desconectado da esperança dos dias de outrora. não se sabe. talvez a esperança de outros tempos fosse a mais absoluta de todas as irrealidades e talvez tivesse uma condenação pendente. uma condenação inevitável. que não valia a pena abrir caminhos. nem sulcar caminhos na pele. não valia a pena. seria sempre tarde para dar a volta. até podia criar ilusões. até poderia sentir amor. mas a maldita condenação que lhe contava os dias pairava sempre sobre a sua cabeça e sobre o olhar dos outros. algo estava realmente mal em toda a sua vida. havia um ponto em que tudo tinha de cair. nunca lhe tinha sido possível ser direccionado para a vontade. se assim se pode dizer. tinha tido várias tentativas de fuga para o real mas todas acabavam por ruir na primeira investida do medo. seria medo? o problema seria o medo? mas medo de quê? que medo pode ter quem não tem já nada a perder? medo de quê? seria a inexistência de paisagens vivas dentro da sua miséria o que realmente o atormentava? porque será que chegou a um ponto em que se começou a sentir uma mera fraude? um mero desenho rabiscado numa folha cheia de dores e amarguras e frustrações e desentendimentos? como poderia ter dado a volta? poderia ter pura e simplesmente saído do filme? seria capaz? seria possível? agora que era só um ponto obscuro no desenrolar do mundo. agora que contava os dias dentro de si. que esperava que a notícia da última respiração o visitasse. que olhava à sua volta e o seu olhar atravessava as coisas. o seu olhar baço. o seu corpo transparente. o que fazer? como sair desse ponto? não há volta a dar. mergulhado na insensatez da sua guerra contra o nada. mergulhado na sua luz extinta e sem nome. rosto coberto de lágrimas e fumo. sem sentido. sem sentidos. à espera da noite.
não posso escrever estas coisas
deste com a cabeça
perdeste a cabeça
algo te come a cabeça
a cabeça
a cabeça
no chão está a tua cabeça
deste com a cabeça na cabeça
corta-se a cabeça
rola a cabeça
cabeça bola
cabeça cortada
cabeça que rola pelo chão de pedra
cabeça atirada dos edifícios
cabeça mentira
cabeça esterco
cabeça merda
cabeça impossível
cabeça muro de angústia
cabeça canibal
cabeça esquecida
cabeça descontrolada
cabeça droga
cabeça violência
cabeça corpo
cabeça estilhaço
cabeça vidro
cabeça esquecida pelo amor da cabeça a mulher
cabeça explosiva
cabeça virada para dentro
cabeça silêncio
cabeça ferida
cabeça obscura
cabeça apática
cabeça sem vida
cabeça impossibilidade
cabeça inconcreta
cabeça vaga
cabeça rasgo de tempo
cabeça treta
cabeça sem olhos
cabeça falta
cabeça o caralho
cabeça a merda
cabeça foda-se
cabeça vontade de fugir
cabeça à deriva
cabeça fome
cabeça sem palavras
cabeça de silêncios
cabeça parede
cabeça mãos
cabeça mãos na cabeça
cabeça lágrimas
cabeça
cabeça
cabeça de fumo
cabeça de fumo
cabeça que arde
cabeça de cinza
cabeça bahhhhhhhhhh
o caralho de cabeça
que cortem a cabeça
que esqueçam a cabeça
que me fodam a cabeça
esta cabeça nada
perdeste a cabeça
algo te come a cabeça
a cabeça
a cabeça
no chão está a tua cabeça
deste com a cabeça na cabeça
corta-se a cabeça
rola a cabeça
cabeça bola
cabeça cortada
cabeça que rola pelo chão de pedra
cabeça atirada dos edifícios
cabeça mentira
cabeça esterco
cabeça merda
cabeça impossível
cabeça muro de angústia
cabeça canibal
cabeça esquecida
cabeça descontrolada
cabeça droga
cabeça violência
cabeça corpo
cabeça estilhaço
cabeça vidro
cabeça esquecida pelo amor da cabeça a mulher
cabeça explosiva
cabeça virada para dentro
cabeça silêncio
cabeça ferida
cabeça obscura
cabeça apática
cabeça sem vida
cabeça impossibilidade
cabeça inconcreta
cabeça vaga
cabeça rasgo de tempo
cabeça treta
cabeça sem olhos
cabeça falta
cabeça o caralho
cabeça a merda
cabeça foda-se
cabeça vontade de fugir
cabeça à deriva
cabeça fome
cabeça sem palavras
cabeça de silêncios
cabeça parede
cabeça mãos
cabeça mãos na cabeça
cabeça lágrimas
cabeça
cabeça
cabeça de fumo
cabeça de fumo
cabeça que arde
cabeça de cinza
cabeça bahhhhhhhhhh
o caralho de cabeça
que cortem a cabeça
que esqueçam a cabeça
que me fodam a cabeça
esta cabeça nada
diziam-se únicos no seu caminho dourado
era o tempo da ilusão
ainda o corpo se sentia criança
não havia olhar
não havia nada
depois o tempo corrosivo da carne
a distância animal
uma espécie de separação na origem
uma queda
uma quebra
uma espécie de corda que aperta o pescoço
até que a respiração seja cortada
silêncio
é a morte do que foi
ou do que é
ou do que importará isso agora
eram janelas abertas sobre os desfiladeiros da vida
era uma vida partilhada
diziam que era belo isso
diziam que havia inveja
que os tremores eram inacessíveis
que a carne era inquebrável
que o outro estava religiosamente guardado
prova de fogo
chama
calor expansivo
medo em combustão lenta
demasiado fugaz
atrocidade nas mãos
falta de esperança na boca
conjugações milimétricas de obscuridade
falta de tempo
falta de vida
sonhos por terra
enterrados
soterrados
esquecidos
diziam que tinham uma luz que era a sua luz
e que essa luz que era a sua
era uma luz que não se apagaria nunca
porque eles não se apagariam nunca
manteriam a sua luz única
como uma luz primordial
que luz?
onde está a luz da visita?
onde está a luz da voz?
a luz da vida?
a luz cabelos na boca?
a luz pele?
a luz quente dos dias?
sim
é verdade
algo houve que morreu em mim
algo houve que me apagou sentidos
algo houve que me sacou o tal futuro de sol e de chuva
a minha pele já não é minha
perdi o dentro
perdi o fora
perdi o céu e o chão
evito a queda como quem evita a água das tempestades
olho à minha volta
estou farto do vazio
morro demasiado lentamente
era o tempo da ilusão
ainda o corpo se sentia criança
não havia olhar
não havia nada
depois o tempo corrosivo da carne
a distância animal
uma espécie de separação na origem
uma queda
uma quebra
uma espécie de corda que aperta o pescoço
até que a respiração seja cortada
silêncio
é a morte do que foi
ou do que é
ou do que importará isso agora
eram janelas abertas sobre os desfiladeiros da vida
era uma vida partilhada
diziam que era belo isso
diziam que havia inveja
que os tremores eram inacessíveis
que a carne era inquebrável
que o outro estava religiosamente guardado
prova de fogo
chama
calor expansivo
medo em combustão lenta
demasiado fugaz
atrocidade nas mãos
falta de esperança na boca
conjugações milimétricas de obscuridade
falta de tempo
falta de vida
sonhos por terra
enterrados
soterrados
esquecidos
diziam que tinham uma luz que era a sua luz
e que essa luz que era a sua
era uma luz que não se apagaria nunca
porque eles não se apagariam nunca
manteriam a sua luz única
como uma luz primordial
que luz?
onde está a luz da visita?
onde está a luz da voz?
a luz da vida?
a luz cabelos na boca?
a luz pele?
a luz quente dos dias?
sim
é verdade
algo houve que morreu em mim
algo houve que me apagou sentidos
algo houve que me sacou o tal futuro de sol e de chuva
a minha pele já não é minha
perdi o dentro
perdi o fora
perdi o céu e o chão
evito a queda como quem evita a água das tempestades
olho à minha volta
estou farto do vazio
morro demasiado lentamente
domingo, 5 de julho de 2009
como seria possível voltar para casa depois de conhecer a Rita? aliás, o que seria isso de casa? o que seria esse lugar nosso depois de conhecer aquele lugar seu, aquele conforto, pessoa despida de coisas de superfície, dura, carnívora... uma noite longa, suficiente para descobrir a magia da loucura. charros constantes. um brilho incrível no olhar. Rita. pessoa perfeita debaixo dos olhos da idade. noite terminada com o andar da bicicleta. seguir em frente no meio do mundo. um dia talvez nos encontremos por aí... ou talvez não, que é o mais provável. só me apetece dizer merda. na verdade, a outra não me sai da cabeça. se este texto fosse bíblico dizia para cortá-la... merda.
sábado, 4 de julho de 2009
sexta-feira, 3 de julho de 2009
quinta-feira, 2 de julho de 2009
ou talvez tenha guardado. talvez te queira os ossos. talvez te queira dentro de si. é preciso que o tempo passe. que o tempo passe sem que se note a sua presença. que as coisas se pareçam sempre com o nada ou com o tudo ou que importará isso agora. é uma coisa enigmática e circular. isso da vida. isso da vida. doem-me os músculos. ferrugem. calcinado na origem respiratória e alimentar do problema. é um vómito constante. a terra que não te guardou. terra de líquidos. terra de sal. são lágrimas, senhor, são lágrimas. lágrimas que caem pelas marcas do rosto. lágrimas de ácido. ainda não há histórias. ainda não há reflexos. correntes. alucinações. projectos abandonados. como se a cabeça se tivesse tornado num grande baú de memórias. escondido no escuro. à espera de ser descoberto. à espera que a luz o visite. a visite. à cabeça.
era uma forma insegura no caminho da vida
um dia morres
um dia morres
um dia morres
queres escrever coisas muito sensíveis meu sacana? pois podes começar por aprender a escrever. precisas de te deitar abaixo. o tempo humilha-te as costas. o tempo massacra-te o pescoço. os ombros. na cabeça não se fala. reina o silêncio. é uma nova espécie de sonolência que te invade a noite e o dia. em que é que estás a pensar? estás a pensar no seguinte: que se pudesses controlar as coisas muito teria sido de outra forma. estás a pensar em merda. as coisas estão no ponto em que estão. são o que são. andas a esquecer-te de ti. andas a esquecer-te de ti. já não és tu. já nada és tu. o que és tu? objecto coisa no desenrolar do mundo. o que tens tu na cabeça? ninguém sabe. como se isso importasse alguma coisa. esquecimento. sem elos. sem ligações. a terra que não te guardou. sanguessuga. estás exausto. aqui se termina mais um texto do nada. tornei-me nisto. um espaço em branco.
era uma forma insegura no caminho da vida
um dia morres
um dia morres
um dia morres
queres escrever coisas muito sensíveis meu sacana? pois podes começar por aprender a escrever. precisas de te deitar abaixo. o tempo humilha-te as costas. o tempo massacra-te o pescoço. os ombros. na cabeça não se fala. reina o silêncio. é uma nova espécie de sonolência que te invade a noite e o dia. em que é que estás a pensar? estás a pensar no seguinte: que se pudesses controlar as coisas muito teria sido de outra forma. estás a pensar em merda. as coisas estão no ponto em que estão. são o que são. andas a esquecer-te de ti. andas a esquecer-te de ti. já não és tu. já nada és tu. o que és tu? objecto coisa no desenrolar do mundo. o que tens tu na cabeça? ninguém sabe. como se isso importasse alguma coisa. esquecimento. sem elos. sem ligações. a terra que não te guardou. sanguessuga. estás exausto. aqui se termina mais um texto do nada. tornei-me nisto. um espaço em branco.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
sonho
é de dia. vem uma certa luz de fora que entra através do frio do edifício. a luz exterior não altera nada. por dentro há lâmpadas fluorescentes que anulam o fora. é tudo igual. como se o tempo natural não passasse por aquele lugar. tu estás na cama como um buda em penitência. não te podes mover. ou seja, podes mas não deves... e olha bem com quem estão a falar... estás amarelo e inchado. vomitas constantemente. talvez seja o fim. já viveste tempo a mais e com demasiada treta nas mãos e na cabeça. sentes-te uma cobaia cheia de tubos e porcarias insignificantes. estás ligado ao mundo meu cabrão, estás ligado a máquinas que te permitem viver. é alguma coisa com o teu fígado que não está bem. bebes demasiado. bebias. aí ninguém te serve nada. cheiras mal. está um calor insuportável e estás a morrer. soltas a pele. a pele seca e vai caindo em cima dos teus lençóis. isso já não te importa. tentam dar-te comprimidos que recusas a todo o custo. porque queres morrer. tudo se torna pressionante. chamas nomes a todos bem alto. deves ter alguma coisa terminal. só um milagre te pode salvar. nesse momento pensas em toda a tua vida. até queres escrever. mas não te deixam. preferem que vejas televisão na hora recomendada da estupidez oficial. gritas que precisas de escrever. lá te trazem um bloquito pequeno com uma caneta azul básica. detestas tudo aquilo. não queres que ninguém te visite. e quando conseguem desatas aos gritos dentro do quarto. tens vergona, só fizeste porcaria atrás de porcaria durante toda a tua vida. só deixas entrar companheiros de luta. nem família nem nada. tens vergonha da tua mãe. o teu amor tenta visitar-te mas tu não deixas. não podes deixar que te veja assim. não consegues. estás amarelo como as mimosas mas só cheiras a carne apodrecida. não te deixam fumar e isso enerva-te. tens de ficar numa cama e isso enerva-te ainda mais. de noite foges mas apanham-te. gritas larguem-me. tragam-me um computador filhos da puta. deixem-me vomitar. estás farto de soro. tudo aquilo te dá asco. a escolha foi tua. é desumano aguentarem a tua respiração num corpo já disforme. queres um caderno mas a tua escrita é física. preferes um computador. gostavas de fazer o relato em tempo real da tua morte. o teu diário eternamente fixo na memória. estás um caco. só queres beber como se não houvesse amanhã. todos correm atrás de ti e tu só dizes para te deixarem em paz, para te deixarem morrer em paz. sedativos e lá te deixas dormir. os teus companheiros de luta lá te arranjam um computador. ficas contente. deixam-te um cigarro contra a vontade mas lá fumas um na casa de banho. estás doente mas ainda estás vivo. há uma volta que se dá no corpo que o termina. nem sabes bem onde estás. o teu amor lá te faz uma visita mas nem sabes o que dizer-lhe. como podes dizer-lhe alguma coisa se te cai a pele? pedes desculpa. mandas uns gritos depois do teu amor sair e te obrigar a prometer que vais ficar bem. mandas uns gritos. tens uma noite de convulsões tremendas. gritas os últimos nomes ao mundo. passado um dia alguém lê um poema em voz alta. funerário. voltas à terra que não te guardou.
terça-feira, 30 de junho de 2009
morreu. fim da história.
estamos mais pobres agora
estamos mais fracos agora
somos menos pessoas agora
temos menos palcos agora
menos mundos
menos sonhos
menos luzes
menos portas para abrir
segunda-feira, 29 de junho de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
0
então traz
sentava-te no meu colo
então senta
fazia-te festinhas
então faz
contava-te historinhas
conta
dáva-te beijinhos
dá
muitos
abraços
todos
muitos......
tantos
bem.....tenho que ir dormir
daqueles
já estou nervoso
vês???
a culpa é tua
acredita que ficava aqui o resto da noite contigo...se amanhã não tivesse que trabalhar!
eu ficava aí o resto da noite contigo
Tú apenas precisas de mimo de atenção!
não é só isso
eu preciso é de amor
amor real
que me agarrem
e o que é mimo senão amor!
mimo...
eu dou mimo
ui........................................
Amorzinho.......
vou dormir
não digas isso
vem comigo!
já
vem comigo já
Esse coradinho não!
Estás a imaginar....
claro
nós os dois na cama
eu a dormir
claro
e eu ao teu lado
ui.................................
a dormir também
ahahhahahahahahahahhahahahah
cadeirinha
era giro!
e depois tu viravas-te para o meu lado
e........................
e encontrávamo-nos a meio da noite
ui...................................
e dáva-mos um beijo
esses encontros a meio da noite........
e tu sorrias
e eu agarrava-te junto a mim
a ficávamos muito muito juntos
como se fossemos um só!
ui......................................
sempre um só
e eu poderia abrir as pernas.....
e eu entrar
ui...................................
e beijar-te como se o amanhã não existisse
ui.....................................
o que conta é mesmo o presente!
Vá salta para aqui!
meu deus...
salto já
quero estar contigo
Vá, vem!
olha que vou mesmo
amanhã já te digo quando chego
amahã é um dia novo....e depende de como acordares....
ahahahahhahahahahahhahahaha
amanhã
espero acordar bem
ahahahahahhahahahahahahahhaha
claro que vais acordar bem!
Quantos cigarros já fumaste?
já vou sonhar bem
uns quantos
Tonto!
destrambelhada
ahahahahhahahahahahahhaha
vamos dormir!
vamos
já
já
já
Já!
ai
Ficas bem?
com desregra cão
claro
não te esqueceste dessa!
como podia eu esquecer-me desta???
ahahahahhahahahahahhahaah
é erudita!
é física
real!
é foder-te por trás
agarrar-te nos ombros
nas ancas
e nós já o fizemos com desregra cão!
é beijar-te na boca por trás
Pára, assim já não saimos daqui........
é abrir-te as pernas
afastar-te as pernas
ui..........................
Destrambelhado!
entrar em ti lentamente
com o prazer imenso que me dás
com a temperatura da tua pele
ui...................................
com as tuas costas
com as tuas pernas
acho que estou mais gordinha.......
com a tua suavidade
deves estar linda
como sempre
eu sou assim tão suave?
como sempre
és mais do que suave
és papel
ui...................
já estou em ti agora
ui............................
já estás com a cabeça encostada na cama
com os joelhos no chão
com as mãos a agarrarem os lençóis
ui.............................
com as minhas mãos a percorrerem as tuas costas e a tua nuca e os teus cabelos
a entrar em ti lentamente com toda a vontade de quem te quer minha
sobre ti
gigante
dentro
gigante dentro de ti
ui........................
como uma dança dentro de ti
sobre ti
em cima de ti
por trás de ti
a agarrar-te nas ancas e a foder-te louco
e tu a querer
toda tu
a querer
a querer............
e a dizer fode-me
e eu a foder-te
e eu a insitir em que me fodas.......
louco
e eu a foder-te mais
e mais
e mais
eu gemo................
por trás
geme
geme
grito.................
grita
e peço-te para te vires comigo!
e eu fodo-te mais e mais
e vimo-nos
loucos
uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
quero-te
Quero-te!
quero-te mais ainda
mais ainda
ui.....................
preciso de ti
eu também
sentava-te no meu colo
então senta
fazia-te festinhas
então faz
contava-te historinhas
conta
dáva-te beijinhos
dá
muitos
abraços
todos
muitos......
tantos
bem.....tenho que ir dormir
daqueles
já estou nervoso
vês???
a culpa é tua
acredita que ficava aqui o resto da noite contigo...se amanhã não tivesse que trabalhar!
eu ficava aí o resto da noite contigo
Tú apenas precisas de mimo de atenção!
não é só isso
eu preciso é de amor
amor real
que me agarrem
e o que é mimo senão amor!
mimo...
eu dou mimo
ui........................................
Amorzinho.......
vou dormir
não digas isso
vem comigo!
já
vem comigo já
Esse coradinho não!
Estás a imaginar....
claro
nós os dois na cama
eu a dormir
claro
e eu ao teu lado
ui.................................
a dormir também
ahahhahahahahahahahhahahahah
cadeirinha
era giro!
e depois tu viravas-te para o meu lado
e........................
e encontrávamo-nos a meio da noite
ui...................................
e dáva-mos um beijo
esses encontros a meio da noite........
e tu sorrias
e eu agarrava-te junto a mim
a ficávamos muito muito juntos
como se fossemos um só!
ui......................................
sempre um só
e eu poderia abrir as pernas.....
e eu entrar
ui...................................
e beijar-te como se o amanhã não existisse
ui.....................................
o que conta é mesmo o presente!
Vá salta para aqui!
meu deus...
salto já
quero estar contigo
Vá, vem!
olha que vou mesmo
amanhã já te digo quando chego
amahã é um dia novo....e depende de como acordares....
ahahahahhahahahahahhahahaha
amanhã
espero acordar bem
ahahahahahhahahahahahahahhaha
claro que vais acordar bem!
Quantos cigarros já fumaste?
já vou sonhar bem
uns quantos
Tonto!
destrambelhada
ahahahahhahahahahahahhaha
vamos dormir!
vamos
já
já
já
Já!
ai
Ficas bem?
com desregra cão
claro
não te esqueceste dessa!
como podia eu esquecer-me desta???
ahahahahhahahahahahhahaah
é erudita!
é física
real!
é foder-te por trás
agarrar-te nos ombros
nas ancas
e nós já o fizemos com desregra cão!
é beijar-te na boca por trás
Pára, assim já não saimos daqui........
é abrir-te as pernas
afastar-te as pernas
ui..........................
Destrambelhado!
entrar em ti lentamente
com o prazer imenso que me dás
com a temperatura da tua pele
ui...................................
com as tuas costas
com as tuas pernas
acho que estou mais gordinha.......
com a tua suavidade
deves estar linda
como sempre
eu sou assim tão suave?
como sempre
és mais do que suave
és papel
ui...................
já estou em ti agora
ui............................
já estás com a cabeça encostada na cama
com os joelhos no chão
com as mãos a agarrarem os lençóis
ui.............................
com as minhas mãos a percorrerem as tuas costas e a tua nuca e os teus cabelos
a entrar em ti lentamente com toda a vontade de quem te quer minha
sobre ti
gigante
dentro
gigante dentro de ti
ui........................
como uma dança dentro de ti
sobre ti
em cima de ti
por trás de ti
a agarrar-te nas ancas e a foder-te louco
e tu a querer
toda tu
a querer
a querer............
e a dizer fode-me
e eu a foder-te
e eu a insitir em que me fodas.......
louco
e eu a foder-te mais
e mais
e mais
eu gemo................
por trás
geme
geme
grito.................
grita
e peço-te para te vires comigo!
e eu fodo-te mais e mais
e vimo-nos
loucos
uiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
quero-te
Quero-te!
quero-te mais ainda
mais ainda
ui.....................
preciso de ti
eu também
sábado, 27 de junho de 2009
já fomos um dia mais luminosos. era outro o tempo. não sabíamos com o que contávamos. depois veio a escassez e as portas. os túneis para atravessar. escrever palavrões. evitar olhar espelhos de manhã e ter medo de descobrir mais um buraco aberto no rosto. estamos cada vez mais velhos. velhos espécie. deixámos mãos abertas em estradas obscuras. apanhámos pássaros mas a vida não esperou. e depois há o mundo. e a luz no final. e coisas que têm que ver com o medo interno do segredo. a abstracção. a fuga. já não somos de plástico. sabemos finalmente o que é o dentro da pele. o que tem e não tem. conhecemos a incerteza do momento seguinte. vivemos constantemente nela. vivemos constantemente todos os momentos.
desculpem-me ter sempre de falar de mim. ontem descobri uma coisa com um companheiro da vida. tenho andado sempre a escrever cartas. é provável que só me saia algo quando me esquecer do outro lado a quem me dirijo. mas eu não sou assim. eu preciso de me escrever desta forma. escrever-me ao outro. escrever-lhe amor. dar-lhe o mundo. porque eu também tenho um mundo debaixo dos dedos. também sou como os gatos. é realmente possível que passe o tempo todo a escrever para um tu que agora serias tu que sabes que és se estás a ler. o problema aparece quando nem imaginas se o tu te lê. se o tu ainda existe. se o tu é o silêncio e a melancolia. se o tu é este vazio e este ritmo de tempo alucinante na passagem. que te diz que estás acabado. que te diz que estás distante da terra.
mas estamos num ponto de viragem do mundo. agora é o momento. o conhecido já mostrou as fissuras. a europa... europa de terror silencioso. salto. risco. humanidade. porque o que é preciso é chegar à humanidade. o resto é dar pulos na vida. o resto é o zero. o nada. o esquecimento.
escrever cartas é por vezes uma necessidade primordial. uma espécie de grito. um desenvolver do assunto que te ocupa. cheguei a uma altura em que desisti de escrever coisas abstractas. as palavras devem ser como injecções directas de realidade. os textos devem ser uma espécie de coisa volátil. um objecto de sofreguidão. textos vida. textos rítmicos. cavalgantes. textos que permitam a respiração do início até à última linha.
isto é fodido. é não saber para onde nem como olhar. é fodido. há esta marca insuportável. esta ferida no corpo. uma ausência brutal na vida. os ombros com um peso e uma tristeza. que puxam para o solo. é um tempo de caos. é um tempo indeciso. um tempo que não me pertence. sanguessuga que me come lentamente até que eu não exista nunca mais. não. não quero olhar para ninguém. não sei é porque te escrevo. talvez porque escrevia para ti. e claro. nos últimos tempos já nem isso. nos últimos tempos já nem escrevia. ali andava. no início do meu esquecimento. mas uma coisa tenho de confessar da qual não me orgulho. fui burro como muitos poucos foram. rebentei com as possibilidades todas. fartei-me de esperar por ti. e mais ainda. gostava de esperar por ti.
é-me mais fácil escrever assim. talvez não seja justo. talvez mostre demasiado o auto-engano. talvez saia demasiado a falcatrua cerebral. merda. eu posso escrever merda. aprendi a usar palavrões. é a minha única arrogância.
tu detestas.
estou em suspenso nas coisas e preciso de sentido. estamos todos assim. o ritmo do mundo a isso obriga. é nesse momento que está. é a zona dos fragmentos. hoje fico por aqui neste meu apontamento.
tenho os olhos a fechar.
desculpem-me ter sempre de falar de mim. ontem descobri uma coisa com um companheiro da vida. tenho andado sempre a escrever cartas. é provável que só me saia algo quando me esquecer do outro lado a quem me dirijo. mas eu não sou assim. eu preciso de me escrever desta forma. escrever-me ao outro. escrever-lhe amor. dar-lhe o mundo. porque eu também tenho um mundo debaixo dos dedos. também sou como os gatos. é realmente possível que passe o tempo todo a escrever para um tu que agora serias tu que sabes que és se estás a ler. o problema aparece quando nem imaginas se o tu te lê. se o tu ainda existe. se o tu é o silêncio e a melancolia. se o tu é este vazio e este ritmo de tempo alucinante na passagem. que te diz que estás acabado. que te diz que estás distante da terra.
mas estamos num ponto de viragem do mundo. agora é o momento. o conhecido já mostrou as fissuras. a europa... europa de terror silencioso. salto. risco. humanidade. porque o que é preciso é chegar à humanidade. o resto é dar pulos na vida. o resto é o zero. o nada. o esquecimento.
escrever cartas é por vezes uma necessidade primordial. uma espécie de grito. um desenvolver do assunto que te ocupa. cheguei a uma altura em que desisti de escrever coisas abstractas. as palavras devem ser como injecções directas de realidade. os textos devem ser uma espécie de coisa volátil. um objecto de sofreguidão. textos vida. textos rítmicos. cavalgantes. textos que permitam a respiração do início até à última linha.
isto é fodido. é não saber para onde nem como olhar. é fodido. há esta marca insuportável. esta ferida no corpo. uma ausência brutal na vida. os ombros com um peso e uma tristeza. que puxam para o solo. é um tempo de caos. é um tempo indeciso. um tempo que não me pertence. sanguessuga que me come lentamente até que eu não exista nunca mais. não. não quero olhar para ninguém. não sei é porque te escrevo. talvez porque escrevia para ti. e claro. nos últimos tempos já nem isso. nos últimos tempos já nem escrevia. ali andava. no início do meu esquecimento. mas uma coisa tenho de confessar da qual não me orgulho. fui burro como muitos poucos foram. rebentei com as possibilidades todas. fartei-me de esperar por ti. e mais ainda. gostava de esperar por ti.
é-me mais fácil escrever assim. talvez não seja justo. talvez mostre demasiado o auto-engano. talvez saia demasiado a falcatrua cerebral. merda. eu posso escrever merda. aprendi a usar palavrões. é a minha única arrogância.
tu detestas.
estou em suspenso nas coisas e preciso de sentido. estamos todos assim. o ritmo do mundo a isso obriga. é nesse momento que está. é a zona dos fragmentos. hoje fico por aqui neste meu apontamento.
tenho os olhos a fechar.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
realmente há dias. o vazio é já um facto. mas há dias... claro que a culpa é do álcool... mas é que de repente sem alterações na cabeça parece que tudo custa muito mais a passar... claro que isto é uma desculpa esfarrapada para a bebedeira compulsiva. é um campo minado. andar circular. esvaziar garrafas como se não houvesse amanhã. drogas se aparecem. tabaco. falar sozinho. expulsar demónios. é verdade, amo aquela gaja. é assim. é insuportável. amo aquela gaja. amo aquela parva daquela gaja. pareço um puto ranhoso a falar. é um desgosto do caneco. é assim... muitos se perguntam como será possível que eu ainda ande assim, muitos não se perguntam nada... é fodido, isto é realmente fodido, é ter uma imagem constante a comer a cabeça, a morder, a pisar, e depois tens a certeza que essa imagem é uma coisa voadora, que circula pelo ar, mas a tua vida mental era essa imagem, é insuportável. estou com os copos.
é rebentar-me contra as paredes. vomitar-me no chão. isto está tramado, meu caro, isto está tramado... não falavas dos vazios? pois agora come-os e que te atafulhem a garganta até já poderes engolir mais. era uma vez uma história muito gira de uma vida. veio o papão e levou-a num saco para dividir o mal pelas aldeias. corpo cortado em pedaços ínfimos. está aí o verão. está aí o verão. mas tens uma imagem puta que te come a cabeça a todas as horas. gostavas de te poder mover pelo ar, gostavas de te poder esfarrapar louco, quem é que quer saber disso. perdeste tudo já. já nem país tens. nem terra. nem sangue. acabarás por vomitar vermelho contra as pedras. já nem podes falar do mundo. já nem podes falar de ti. adiante nos assuntos. que o caos te encha a cabeça de cicatrizes. fizeste merda cabrão. agora aguenta-a.
apetece-me entrar na sua cabeça gigante
apetece-me morder a sua cabeça gigante depois de entrar nela
apetece-me sentir o seu interior gigante na minha boca
apetece-me ser convulsivo dentro da sua cabeça gigante
apetece-me comer o seu dentro gigante
apetece-me esquecer o seu gigante
apetece-me esquecer gigante
apetece-me voltar a ser gigante dentro de ela a gigante
apetece-me ser doentio gigante
apetece-me destruição gigante
apetece-me gritar o seu nome gigante pelas ruas e não ter resposta
apetece-me odiar esse silêncio gigante
apetece-me enfiar em buracos gigantes sem luz nenhuma
apetece-me voltar a trás no tempo gigante
apetece-me não ter sentido nenhum gigante
apetece-me rasgar a pele gigante
apetece-me destruir-me gigante
apetece-me ser um cão gigante
apetece-me cuspir gigante no seu rosto gigante
apetece-me rasgar as putas das cartas gigantes
apetece-me chorar gigante
apetece-me fazer merda gigante
vou para a rua agora
apetece-me morder a sua cabeça gigante depois de entrar nela
apetece-me sentir o seu interior gigante na minha boca
apetece-me ser convulsivo dentro da sua cabeça gigante
apetece-me comer o seu dentro gigante
apetece-me esquecer o seu gigante
apetece-me esquecer gigante
apetece-me voltar a ser gigante dentro de ela a gigante
apetece-me ser doentio gigante
apetece-me destruição gigante
apetece-me gritar o seu nome gigante pelas ruas e não ter resposta
apetece-me odiar esse silêncio gigante
apetece-me enfiar em buracos gigantes sem luz nenhuma
apetece-me voltar a trás no tempo gigante
apetece-me não ter sentido nenhum gigante
apetece-me rasgar a pele gigante
apetece-me destruir-me gigante
apetece-me ser um cão gigante
apetece-me cuspir gigante no seu rosto gigante
apetece-me rasgar as putas das cartas gigantes
apetece-me chorar gigante
apetece-me fazer merda gigante
vou para a rua agora
segunda-feira, 22 de junho de 2009
resumo muito resumido dos dias loucos
já mais recuperado dos dias do inferno físico e da alucinação rítmica, por vezes tem de ser assim, é a melhor forma de exorcismo dos fantasmas e nada melhor do que isto para aviar tempo. ela ainda está nas distâncias e como tal, devo acreditar que o sono veio para ficar, meus caros, certeza das certezas, a minha mulher morreu, que se foda o assunto, que arranje melhor um dia, tenho a certeza que não será nada difícil, enfim. isto só para esclarecer este ponto finalmente final. bem, preciso de dar aqui um destaque a uma coisa que foi mais do que formidável: a semana do Portugal ConVida em Barcelona. vitória absoluta da classe operária. momentos mágicos que vão ficar de certeza para a história de quem os viveu por dentro ou por fora. por outras palavras: somos os maiores!!! uma noite de fado amador que vai ficar gravada na cabeça de quem assistiu, uma conferência sobre vinhos portugueses que ficará para a história, uma festa gigante onde passaram milhares de pessoas que foi uma rambóia gigantesca!!! gostava de ter imagens da noite de fado amador, caros leitores foi este vosso sacana quem apresentou... e no fim com direito a cantarolar uma nova interpretação do fado e tudo!!! a trova do vento que passa!!! com uma roupagem de fado tricky!!! hahahaha, enfim... olhem, comédia das comédias... mas isto tem sido a roda viva da malta festivaleira. tornei-me num freak! é o perigo de quem sente e sabe que já não tem nada a perder. descobri que já não vale a pena ter sonhos, é um dia de cada vez até que chegue a noite sem dia. o que vier a mais já é lucro. não vale a pena lutar por castelos nas núvens. enfim... bem, outro acontecimento marcante, agora já mais a seco: o festival SONAR. verdadeiro desfile de atrocidades musicais. ainda bem que fui. não tenho escrito nada. nem em cadernos. amanhã é o S. João e promete ser mais uma noite desconchavada. é preciso viver. que se lixe o tempo que lá vai. já não tenho saudades nenhumas. este verão nem vou a Portugal, caguei e andei. tenho saudades de gente e de coisas mas tenho a certeza que quem também sente o mesmo em relação a mim compreende esta atitude. há alturas em que é preciso estar longe. pronto, já desabafei tudo por hoje.
sábado, 20 de junho de 2009
pois é verdade, não tenho escrito nada, tem sido impossível. com o ritmo no ponto da loucura, com vitórias da classe operária, com ritmo festivaleiro. senhoras e senhores, estou um caco. um caco mas um caco aceso, um caco explosivo, em processo, um caco em desenvolvimento. realmente não tenho escrito nada, não tenho escrito nada porque não posso ter tempo, e ainda bem que não o tenho, porque se tivesse tempo poderia começar a pensar e se começasse a pensar de certeza que me enervava. meus caros leitores, ou puros membros do acaso, dois acontecimentos marcantes nestas duas últimas semanas: PortugalConvida e SONAR. o SONAR, festival de referência no imaginário já antigo, primeira vez, primeira vez marcante e assumidamente já um fan da linha da frente. concerto dos últimos tempos: Sebastian. vou dizer outra vez: concerto dos últimos tempos: Sebastian. já não achava possível que houvesse no mundo alguma coisa assim, uma das descargas de energia mais brutais que vi até hoje, o concerto que eu precisava realmente de ver, precisava de saltar, de dançar, de gritar. o SONAR tem o seu quê de irreal, primeiro pela imensidão tamanha, depois pelo ambiente louco que se vive, depois pelo tipo de apostas de programação, e passando por mais tudo e tudo e tudo, enfim... enfim... loucura descontrolada no corpo e na cabeça. podia aqui fazer um resumo mas nem vale a pena. o Erol Alkan é bom e foi brutal mas este velhaco deste Sebastian foi insuportável de tão incrível, tenho um pé lixado por causa dele!!! tenho uma bolha num dedo do pé!!! enfim... aqui vos deixo um video do concerto para terem uma pequena ideia:
enfim... heavy metal, heavy metal, heavy metal. não há mais nada a dizer. quando tiver menos sono juro que escrevo mais alguma coisa.
abraços aos que contam.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
sábado, 6 de junho de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009
terça-feira, 2 de junho de 2009
segunda-feira, 1 de junho de 2009
se te encerras em quartos fechados cobertos de atrocidades
chegam os bichos e comem-te a nuca até ao interior do cérebro
amanhã estarei aqui outra vez esperando visitas
pernas líquidas assombradas
um insuportável medo da morte lenta
um terrível medo da vida vazia
vácuo
mal-estar implosivo
sem fim à vista
corpo inquieto e sem conexão
ataques de pânico
sonolência
chegam os bichos e comem-te a nuca até ao interior do cérebro
amanhã estarei aqui outra vez esperando visitas
pernas líquidas assombradas
um insuportável medo da morte lenta
um terrível medo da vida vazia
vácuo
mal-estar implosivo
sem fim à vista
corpo inquieto e sem conexão
ataques de pânico
sonolência
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