segunda-feira, 22 de setembro de 2008

se algum dia me pedissem que escolhesse uma música que fosse o teatro para mim, escolheria esta:



nunca o consegui explicar. sempre que estou a fazer alguma coisa, é esta música que me vem à cabeça. já uma vez me chamaram tonto por causa dela... é possível. estávamos na altura a fazer a primeira versão do Maldoror, que não foi feita, fez-se uma segunda versão uns anos depois... um espectáculo que se revelou enfeitiçado por diversas forças malignas, entre as quais, certamente, a minha falta de experiência... experiência que, muito possivelmente, nunca será suficiente para equilibrar a dose que preciso para fazer alguma coisa que me agrade. porque o teatro é-me auto-desagradável. é-me cansativo. é-me desgastante. mas porque não conseguirei eu deixar de pensar nele a toda a hora? como se fosse um peso qualquer que eu tivesse de carregar sobre as costas, que me dissesse que eu tinha de lutar, que eu tinha de me enfrentar, que eu tinha de renunciar a alguma coisa que eu nem sei bem o que é. quando se acaba um curso têm-se uma visão romântica do mundo, quando se trabalha ganha-se a visão perversa desse mesmo mundo. acabam-se os mitos com uma facilidade incrível. por exemplo, agora, sinto-me como se estivesse a estudar outra vez. as condições são praticamente as mesmas, é uma espécie de recomeçar, ou passar por quase o mesmo mas de outra maneira. tenho mesmo de voltar à carga. mesmo que seja pela última vez, que perceba que talvez seja melhor repensar, se conseguir repensar, porque estas coisas do pensamento são difíceis para quem só tem um quarto de cérebro e mesmo esse quarto de cérebro tem as suas características próprias... agora ando a meter-me noutra alhada, quero juntar um grupo de pessoas e fazer o Subterrâneo aqui, já sei que pode soar a repetitivo, mas nestas alturas uma pessoa vira-se para o que tem. uma coisa prefiro: poder ter um actor para encenar, é mais fácil de levar ao fundo do que uma coisa auto-encenada, uma coisa auto-encenada não é bem um espectáculo construído, é mais uma preparação de um momento. objectivo principal desta fase: arranjar maneira de fazer este espectáculo aqui. objectivo imediato: encontrar um actor. desculpem, objectivo imediato: encontrar um bom actor.

1 comentário:

Anónimo disse...

Força aí Amigo!

Beijos e Abraços com saudade ;)