segunda-feira, 9 de março de 2009

a rua torna-se silenciosa debaixo dos pés que a pisam
muito pouco há para dizer
são armadilhas da viagem
tudo grita menos o espaço ínfimo do caminho
tudo o que grita é um convite ao abismo
ou saltas ou não saltas
a rua ganha um silêncio monstruoso enquanto se caminha nela
nem risos nem vento nem nada
alguém que caminha e uma rua
a cabeça não é para aqui chamada
a cabeça pode estar cheia de muita coisa
mas o texto é sobre os pés
sobre a planta dos pés
os pés e as pedras da rua
rua que se torna silenciosa
rua que não sente o pisar duro
corpo que pisa
um corpo que é pisado
que existe para ser pisado dirão alguns
mentira
existe para que se ande nele
não para que se pise

é voltar às confissões subjectivas
escrever chão ou parede ou tecto
e tudo ser demasiado irreal para que se possa olhar
ou acreditar

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