terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
gozar do tempo enquanto a inconsciência dura. enquanto a dor não te bate muito grave na porta. não é gozar do tempo. é na verdade aniquilá-lo. nos meandros literários diz-se que o tempo é uma pretensão da questão. nos meandros literários fartam-se de falar. fala-se e fala-se e não se chega a conclusão nenhuma. gozar do tempo e escrever. olha que vida mais coberta de ambiguidade. o tempo. recorrência ultimamente habitual na terminologia própria. sim. terminologia própria. é que passados uns tempos de captura ganha-se terminologia própria, para quem não sabe disso. ganha-se um combate dentro de muralhas individuais, só para quem não sabe disso. adiante. não quer dizer que alguma vez volte à realidade, não importa. importa sempre mas lá se segue na linha do pânico. sim, o medo é para as crianças, olha o meu lado parvo a vir ao de cima. a minha treta: comparar sofrimentos!!! é a mania da queixa, é insuportável. é estar num sítio e ver quem chora mais e ter-se a certeza de que a maior lágrima nos pertence a nós, é a NOSSA dor, uma dor que acabaria com toda uma vida. uma dor puta que nos acabaria com a vida mais a nós do que aos outros. estou desumanizado. tenho muitas culpas no cartório. tornei-me numa onda de crimes. numa vaga violenta e auto-destrutiva. numa máquina de guerra interna. é claro que tenho de me resolver. mas há sempre os que se vão abaixo dependendo da perspectiva de quem olha. e isso não quer dizer nada. as coisas devem ser feitas com amor. e o amor é inconsciente não é calculista. ora isso é uma doença no mundo hoje, neste tempo binário. nesta necessidade formatada de realidade. voltando ao assunto inicial, o assunto do gozar do tempo. pois faz-se o que é possível. às vezes sai fumo. às vezes a cama é quente. a vida é como o amor. posso dizer o quê? fazem-se mais frases sobre o amor que sobre a vida, ao menos aqui ponho os dois no mesmo nível, quero eu lá saber de ascensão aos céus. o meu problema é ter a certeza que o sistema binário quer a minha reintegração. quer que eu seja zero ou que eu seja um. mas isso é um aborrecimento terrível. o mundo binário põe-me nervoso. deixa-me sem saber o que dizer. e eu poderia dissertar horas a fio sobre vazios, poderia dissertar sobre movimentos do espírito se para isso estivesse preparado e se isso fosse a minha vida. ando a detestar o à queima roupa e preciso de momentos que se espalhem. balas que atravessam a carne e sangue que se espalha quente e lento sobre a pele que desce, que é curva de um corpo já morto. descoberto na estrada. no meio do escuro. com as luzes dos faróis. enquanto se aproximavam as rodas. mas o corpo já estava morto e não sentiu o peso. ao menos isso. o tempo realmente move-se. é instável. não o considero motivo de orgulho a não ser que se chegue aos duzentos anos!!! aí sim, aí realmente é obra!!! aí pode cuspir-se sem vergonha. mas não acho que seja o tempo a resolver as questões nem acho que o tempo traga realmente algum conhecimento mais específico, claro que isso o tempo próprio o dirá e quem me dera a mim ter surpresas. surpresas... meu deus... onde é que elas andam que não me passam na porta E NÃO ME ESTOU A QUEIXAR E NÃO ESTOU DEPRIMIDO NUM SENTIDO GRAVE E SIM SÓ ME APETECE FUMAR E BEBER E MUITAS VEZES MORRER MAS É PORQUE SOU ASSIM tenho esta forma de me expressar, caminho no registo que possuo. é a única coisa que é minha, só o meu registo é que me pertence. se quisesse dramatizar um bocado diria já que nem eu me pertencia, mas é que não me apetece, porque se me apetecesse... ai ia já, escrevia logo a treta dramática que pertence à obsessão estilística e etc e etc. preciso de voltar a começar a pensar em termos de espectáculo. não me posso esquecer. não me posso esquecer. mas é que a preguiça e a anulação são tão automáticas e aproximam-se tão rapidamente. já não sei onde vou. já nem sei onde quero ir. lá está o vício de poeta português. percebem? é que cai-se na cantiga do coitadinho por hábito linguístico e por referência estilística. é 3 vezes 7 vinte e um. a verdade é que se gostaram dos livros errados. é só livros de desgraças, um gajo gosta do ritmo, são lidos naquelas alturas e ouvidos com aquelas músicas... é assim. também tenho saudades de ler na minha língua. enfim. um texto perdido com carácter biográfico, mais uma vez.
bem, este vosso compadre foi finalmente à SaFa (Sagrada Família na linguagem de la calle). depois de pagar um preço louco e passar por um daqueles torniquetes lá subi eu a escadaria principal do Mamarracho. o Mamarracho é realmente monumental, aí tiro o chapéu ao senhor que o imaginou, o senhor Gaudi era realmente fora. agora, pontos de nervos: ópá, paga-se para ali dar a volta dos tristes, já vi andaimes mais giros em obras mais pequenas, ah sacanas... pagar para aquilo, nem se podia subir lá acima, isso é que fiquei enervado. mas pronto... lá segui viagem... entrei no museu da SaFa e aí lá deu para ver uns desenhos e umas fotos e umas maquetas, cenas giras, enfim... a SaFa é a versão catalã da Santa Engrácia. o Mamarracho, ainda por cima não deu para subir às torres, estavam fechadas!!! mas o preço da entrada era o mesmo!!! sacanas!!! é para os ingleses!!! ainda me enervei um bocadinho mas depois olhei para os desenhos e acalmei. aquilo tem pormenores que são realmente bem apanhados. olhem, a ver como acaba. e já agora, para quem diz que aquilo está a ser feito tudo à maneira antiga... isso é treta, aquilo é quase só betão armado!!! o Mamarracho, gostava de ver aquilo acabado, deve ser giro. bem, fui passear que já merecia e gostei muito. e aqui fica a minha composição.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
querido diário sujeito a interpretações,
abordo-te aqui de uma maneira um pouco formal embora de formalista só me considere na medida do minimamente experimental. neste momento desconheço-te as linhas que podemos chamar de força em termos de definição. enfim... deixemos estas coisas de lado, estou-te a escrever a ti, estou-te a escrever uma espécie de carta a ti, que és uma espécie de diário, e é assim que se começam os textos diarísticos no imaginário universal. querido diário. querido diário. estou com o cabelo maior em alguns sítios e cada vez mais nulo em alguns outros. as marcas do tempo são assim, infiltram-se e simplesmente passam, não querem voltar atrás, as porcas, não há nada a fazer em relação a isso. pois a verdade, uma delas, e mesmo assim pode ser uma verdade mentira ou ilusória, mas a verdade é que a pele muda realmente com este assunto do tempo, a pele e o cabelo, maldita carequice, mas capachinhos são horríveis e as carecas não se podem enganar e toda a gente tem medo que a descubram e eu já tenho medos que me bastem para saber que não a devo esconder. onde é que eu ia? ó diário, tu vai-me lembrando que eu às vezes perco-me em frases, acontece-me perder em frases, hei-de fazer o quê? mas olha, a falar sou um desastre, a falar e muitas vezes a viver, sou terrível a falar, a escrever esqueço-me disso, é mais fácil, sabes que a história do cu... que quem tem cu tem medo... é verdadeira e o meu cu que o diga que já muitas vezes sentiu medo. diário, chega de paleio. vou recomeçar.
querido diário sujeito a interpretações,
estou careca e embora pareça cansado, sei muito bem que hão-de vir bombas, autênticas bombas incendiárias, que hão-de ser vomitadas convulsivamente até ferir a garganta e sair sangue. estou a ficar careca e embora pareça que também estou a ficar morto ainda tenho aqui mão para me defender de um que não seja muito forte!!! diário, sei que sou muitas vezes bananasentimentalóidedepreaborrecidomedricascobardolasmerdasetcetc mas ando a tentar mudar isso, e ao menos seja dito esse facto, batem-me mas também levam. alguém vai ganhar e não vou ser eu, mas é mesmo assim, não somos todos feitos para ganhar. querido diário. hoje estou perdido no meio delas. das frases. mas não me apetece recomeçar.
sigo. não sei em que sentido ou linha de discurso. há um bloqueio com as palavras e os sonhos últimos apresentam um lado expressivamente freudiano, que sempre me enervou, mas realmente andam a pairar nas minhas noites imagens que me aborrecem, as famílias, deve ser da idade, cartas que escrevo ao dormir, é insuportável. sempre detestei Freud e a maldita escola da psicanálise, aliás, escolas no sentido de linhas... incómodo absoluto na minha cabeça. enfim... estava a falar dos sonhos que me andam a atarantar a mona ao dormir. de serem sonhos demasiado freudianos na formatação interpretativa da treta que nos impuseram no caneco do imaginário universal, e é a segunda vez que falo dele. imaginário universal. tenho visto um lado da família em incêndios do mundo, é estranho porque é o lado fraco familiar da vida, deve ser disso, com a tomada da consciência do caminho talvez se percebam melhor os obstáculos e nunca hei-de usar esse argumento para me defender, sou burro porque sou burro, a palmada que o médico me deu quando nasci para que chorasse tem pouco a ver com esse facto. sou burro e pronto. tudo a declarar. nada a desculpar. sou um burro com ânsias. e como tudo ajuda o pobre... sou muito burro e tenho muitas ânsias. o Freud é chato. estar careca deve ser mau em alguns dias de verão. o sol na cabeça é perigoso e o perigo, embora muitas vezes excitante, não é aqui agradável, saltar a pele na cabeça, arrancar bocados dela, uma seca que os protectores só ajudam muito minimamente e eu não os sei usar. sonhos atormentam-me. atormentam-me porque vejo coisas que não quero e espeto-lhes com a treta da formatação.
querido diário. tenho de ter cuidado. há coisas que mordem os calcanhares. a vida morde-se a ela própria. injecta-se veneno. é animal. detesta solidões. altera-se. quer subir sempre. diário. lembrei-me de um texto que escrevi quando tinha vinte e cinco anos que era sobre o facto de ter vinte e cinco anos. estou agora pior. menos ilusões e com visitas freudianas a atormentar o sono. não me apetece gritar mas apetece-me fumar. só me apetece fumar. já não tenho lata. só me apetece rir. mas rir à gargalhada, é o melhor. diário de interpretações. tem calma. escrevo-te a ti mas falo para mim. muitas vezes escrevo para lavar. não estou preocupado com exigências de leitores. isto vem assim. detestaria escrever estilos. gosto de escrever livre. prefiro não meter os meus textos em prateleiras. prefiro parti-los como pedras. sacar-lhes a forma. se só escrevesse o que interessasse aos leitores estaria tramado. não iria escrever quase nada e acabaria por deixar mesmo de escrever. isto é uma necessidade. não dá para orientar. isto não é um trabalho. ó diário. tu vê se percebes isto.
estás sempre a mandar-me à merda. depois os sonhos insistem. a saudade aperta mas a voz não soa. há a altura. lá está o pobre a ser ajudado. diário. hoje acabamos aqui.
abordo-te aqui de uma maneira um pouco formal embora de formalista só me considere na medida do minimamente experimental. neste momento desconheço-te as linhas que podemos chamar de força em termos de definição. enfim... deixemos estas coisas de lado, estou-te a escrever a ti, estou-te a escrever uma espécie de carta a ti, que és uma espécie de diário, e é assim que se começam os textos diarísticos no imaginário universal. querido diário. querido diário. estou com o cabelo maior em alguns sítios e cada vez mais nulo em alguns outros. as marcas do tempo são assim, infiltram-se e simplesmente passam, não querem voltar atrás, as porcas, não há nada a fazer em relação a isso. pois a verdade, uma delas, e mesmo assim pode ser uma verdade mentira ou ilusória, mas a verdade é que a pele muda realmente com este assunto do tempo, a pele e o cabelo, maldita carequice, mas capachinhos são horríveis e as carecas não se podem enganar e toda a gente tem medo que a descubram e eu já tenho medos que me bastem para saber que não a devo esconder. onde é que eu ia? ó diário, tu vai-me lembrando que eu às vezes perco-me em frases, acontece-me perder em frases, hei-de fazer o quê? mas olha, a falar sou um desastre, a falar e muitas vezes a viver, sou terrível a falar, a escrever esqueço-me disso, é mais fácil, sabes que a história do cu... que quem tem cu tem medo... é verdadeira e o meu cu que o diga que já muitas vezes sentiu medo. diário, chega de paleio. vou recomeçar.
querido diário sujeito a interpretações,
estou careca e embora pareça cansado, sei muito bem que hão-de vir bombas, autênticas bombas incendiárias, que hão-de ser vomitadas convulsivamente até ferir a garganta e sair sangue. estou a ficar careca e embora pareça que também estou a ficar morto ainda tenho aqui mão para me defender de um que não seja muito forte!!! diário, sei que sou muitas vezes bananasentimentalóidedepreaborrecidomedricascobardolasmerdasetcetc mas ando a tentar mudar isso, e ao menos seja dito esse facto, batem-me mas também levam. alguém vai ganhar e não vou ser eu, mas é mesmo assim, não somos todos feitos para ganhar. querido diário. hoje estou perdido no meio delas. das frases. mas não me apetece recomeçar.
sigo. não sei em que sentido ou linha de discurso. há um bloqueio com as palavras e os sonhos últimos apresentam um lado expressivamente freudiano, que sempre me enervou, mas realmente andam a pairar nas minhas noites imagens que me aborrecem, as famílias, deve ser da idade, cartas que escrevo ao dormir, é insuportável. sempre detestei Freud e a maldita escola da psicanálise, aliás, escolas no sentido de linhas... incómodo absoluto na minha cabeça. enfim... estava a falar dos sonhos que me andam a atarantar a mona ao dormir. de serem sonhos demasiado freudianos na formatação interpretativa da treta que nos impuseram no caneco do imaginário universal, e é a segunda vez que falo dele. imaginário universal. tenho visto um lado da família em incêndios do mundo, é estranho porque é o lado fraco familiar da vida, deve ser disso, com a tomada da consciência do caminho talvez se percebam melhor os obstáculos e nunca hei-de usar esse argumento para me defender, sou burro porque sou burro, a palmada que o médico me deu quando nasci para que chorasse tem pouco a ver com esse facto. sou burro e pronto. tudo a declarar. nada a desculpar. sou um burro com ânsias. e como tudo ajuda o pobre... sou muito burro e tenho muitas ânsias. o Freud é chato. estar careca deve ser mau em alguns dias de verão. o sol na cabeça é perigoso e o perigo, embora muitas vezes excitante, não é aqui agradável, saltar a pele na cabeça, arrancar bocados dela, uma seca que os protectores só ajudam muito minimamente e eu não os sei usar. sonhos atormentam-me. atormentam-me porque vejo coisas que não quero e espeto-lhes com a treta da formatação.
querido diário. tenho de ter cuidado. há coisas que mordem os calcanhares. a vida morde-se a ela própria. injecta-se veneno. é animal. detesta solidões. altera-se. quer subir sempre. diário. lembrei-me de um texto que escrevi quando tinha vinte e cinco anos que era sobre o facto de ter vinte e cinco anos. estou agora pior. menos ilusões e com visitas freudianas a atormentar o sono. não me apetece gritar mas apetece-me fumar. só me apetece fumar. já não tenho lata. só me apetece rir. mas rir à gargalhada, é o melhor. diário de interpretações. tem calma. escrevo-te a ti mas falo para mim. muitas vezes escrevo para lavar. não estou preocupado com exigências de leitores. isto vem assim. detestaria escrever estilos. gosto de escrever livre. prefiro não meter os meus textos em prateleiras. prefiro parti-los como pedras. sacar-lhes a forma. se só escrevesse o que interessasse aos leitores estaria tramado. não iria escrever quase nada e acabaria por deixar mesmo de escrever. isto é uma necessidade. não dá para orientar. isto não é um trabalho. ó diário. tu vê se percebes isto.
estás sempre a mandar-me à merda. depois os sonhos insistem. a saudade aperta mas a voz não soa. há a altura. lá está o pobre a ser ajudado. diário. hoje acabamos aqui.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
E crescem as unhas do tempo sobre corpos falantes
Paisagens
Textos invisíveis escritos com o olhar
Era uma vez...
Em busca do passo seguinte da história
História pessoal
História do mundo
Depois do incêndio
Da peste
Da fome
Da guerra
Dos gritos e das lágrimas
Das revoluções
Voltar ao passo embrionário
Era uma vez...
Três
Mosqueteiros
Armados até aos dentes para combater a doença
Infiltrada nos corpos autistas das coisas
Que lutavam para impor a realidade
O crescimento das unhas
Do cabelo
A transformação da pele
Metamorfose
Envelhecimento
Desaparecimento
Luta
Lunar
Lacunar
Sujeito da história
Nulo no mundo mudo
Cinemático
Cantante surdo
Um sussurro esperado para continuar com ritmo
Sem o corpo desolado
Desamoroso
Desamado
Perdido
Encontrado
À deriva nos seus nadas
Em câmaras de eco
Câmaras escuras
Silêncio-silenciadas
Sem palavras novas
Sem paredes pintadas
Ou riscadas
Ou sacudidas
Elas
Despidas
Com as mão nos ferros
Com o ar quente na boca
No chão
Na água
Os anzóis
No ar
Os pardais
Os aviões
As nuvens
Os palavrões
As unhas crescidas na carne
Da carne
Regressam à carne
Outra
Ferida
Esta mais ligeiramente ácida
Fotografia de dedos molhados
Em busca de amor
Que é como quem diz casa
Que é como quem diz mundo
Que é como quem diz vida
Que é como quem diz sentido
Certeiro
O tiro
Matou o porteiro
A porta fechou-se
Ninguém mais entrou
Depois chegou o ladrão
Com os seus olhos no chão
A porta abriu
O ladrão entrou
A cantora cantou
E a mulher tossiu
Tossiu porque não quis o ladrão
Tossiu porque o ladrão era da droga
Tossiu porque o ladrão era um ladrão
Um ladrãozeco
Um meia leca
Desapossado
Despessoado
Desajustado
De auto-estradas
Linhas curvas
Como lágrimas
Intermitentes
Impressas
De fome e saturação
Em estado de vigília
Sem sorrisos oferecidos
De chaminé em chaminé
Em cima do fogo e do perigo
Chamem outra vez a realidade
A maldita realidade
Quero falar com ela
Quero puxar-lhe pelos cabelos e gritar-lhe aos ouvidos
Que apanhe com a saliva do grito
Que apanhe com a surdez
Com a nudez
Chamem-na outra vez
À realidade fugitiva
Cheia de nicotina
Alcatrão
Palavras
Desejos
Tudo por fazer
Uma casa vermelha fogo no bosque
Café quente de manhã
Sorrisos
Era uma vez um corpo
Com a sua história normal de corpo
Nasceu e morreu
Com um pequeno instante entre o nascimento e a morte
A que muitos chamam vida
Uma viagem entre dois pontos
Que pode ser mais cheia
Que pode ser mais vazia
Que pode ser assim assim
É o corpo
Ou a cabeça
Seja o que for
Seja o que a realidade quiser
Quando corres pela rua
E a chuva te cai na cara
Sabes sempre que a realidade te visita
Se ficas fechado em casa
Protegido do tempo
É a ilusão quem te acompanha
Se a mulher te chega das nuvens
Cai-te nos braços
Deita-te ao chão
Só estás seguro numa prisão
Não olhes para trás
Nunca digas não
Que os fantasmas que não queres ver sempre lá estão
E um dia é tão pequeno como uma mão
Ou um dedo
Ou uma unha
Ou uma vida
Ou uma noite
Já vês as costas
Não tens perdão
Já vês as coisas
Com os olhos no chão
Solta-se o grito
Só dizes que não
Andam as coisas ao contrário
São avarias no cérebro
Aventuras no corpo
Nada te toca
Nem choca
Cabeça oca
Difusa
Di fiúza
Cala-te boca
Que o teu pai morreu
Indo eu a caminho de Viseu
Ai Jesus que lá vou eu
Três vezes eu
Por isso é que te chamam egoísta meu cabrão
Mereces cair redondo no chão
Com textos pacóvios
Sem nenhum palavrão
Pois quem me dera
Ser só amor
Mas as malditas ânsias
Os gritos da guerra
A insatisfação
A penúria
A garganta
O fumo
O ritmo que cresce dentro e que pede para sair
Que é incontrolável
Que é insuportável
Que não consegue ficar
É a cabeça que se coça
São os nervos
As campaínhas
As não-razões
O medo que morreu de velho
Porque envelheceu novo
Avenidas de árvores infantis
Nas quintas distantes
Outono
Tons vermelhos no chão que se pisa
Matéria decomposta origina vida inimaginável
Montanha
Raios de luz por entre as árvores
Uma avenida brilhante e vermelha no meio do nada
Que só os teus olhos comem
Sôfregos
Solitários
Um prazer vazio
Combina-se que não se olha para trás
Mas os olhos nunca olham para a frente
Estão fixos
Palavras inquietas
Um sobressalto constante
Paisagens
Textos invisíveis escritos com o olhar
Era uma vez...
Em busca do passo seguinte da história
História pessoal
História do mundo
Depois do incêndio
Da peste
Da fome
Da guerra
Dos gritos e das lágrimas
Das revoluções
Voltar ao passo embrionário
Era uma vez...
Três
Mosqueteiros
Armados até aos dentes para combater a doença
Infiltrada nos corpos autistas das coisas
Que lutavam para impor a realidade
O crescimento das unhas
Do cabelo
A transformação da pele
Metamorfose
Envelhecimento
Desaparecimento
Luta
Lunar
Lacunar
Sujeito da história
Nulo no mundo mudo
Cinemático
Cantante surdo
Um sussurro esperado para continuar com ritmo
Sem o corpo desolado
Desamoroso
Desamado
Perdido
Encontrado
À deriva nos seus nadas
Em câmaras de eco
Câmaras escuras
Silêncio-silenciadas
Sem palavras novas
Sem paredes pintadas
Ou riscadas
Ou sacudidas
Elas
Despidas
Com as mão nos ferros
Com o ar quente na boca
No chão
Na água
Os anzóis
No ar
Os pardais
Os aviões
As nuvens
Os palavrões
As unhas crescidas na carne
Da carne
Regressam à carne
Outra
Ferida
Esta mais ligeiramente ácida
Fotografia de dedos molhados
Em busca de amor
Que é como quem diz casa
Que é como quem diz mundo
Que é como quem diz vida
Que é como quem diz sentido
Certeiro
O tiro
Matou o porteiro
A porta fechou-se
Ninguém mais entrou
Depois chegou o ladrão
Com os seus olhos no chão
A porta abriu
O ladrão entrou
A cantora cantou
E a mulher tossiu
Tossiu porque não quis o ladrão
Tossiu porque o ladrão era da droga
Tossiu porque o ladrão era um ladrão
Um ladrãozeco
Um meia leca
Desapossado
Despessoado
Desajustado
De auto-estradas
Linhas curvas
Como lágrimas
Intermitentes
Impressas
De fome e saturação
Em estado de vigília
Sem sorrisos oferecidos
De chaminé em chaminé
Em cima do fogo e do perigo
Chamem outra vez a realidade
A maldita realidade
Quero falar com ela
Quero puxar-lhe pelos cabelos e gritar-lhe aos ouvidos
Que apanhe com a saliva do grito
Que apanhe com a surdez
Com a nudez
Chamem-na outra vez
À realidade fugitiva
Cheia de nicotina
Alcatrão
Palavras
Desejos
Tudo por fazer
Uma casa vermelha fogo no bosque
Café quente de manhã
Sorrisos
Era uma vez um corpo
Com a sua história normal de corpo
Nasceu e morreu
Com um pequeno instante entre o nascimento e a morte
A que muitos chamam vida
Uma viagem entre dois pontos
Que pode ser mais cheia
Que pode ser mais vazia
Que pode ser assim assim
É o corpo
Ou a cabeça
Seja o que for
Seja o que a realidade quiser
Quando corres pela rua
E a chuva te cai na cara
Sabes sempre que a realidade te visita
Se ficas fechado em casa
Protegido do tempo
É a ilusão quem te acompanha
Se a mulher te chega das nuvens
Cai-te nos braços
Deita-te ao chão
Só estás seguro numa prisão
Não olhes para trás
Nunca digas não
Que os fantasmas que não queres ver sempre lá estão
E um dia é tão pequeno como uma mão
Ou um dedo
Ou uma unha
Ou uma vida
Ou uma noite
Já vês as costas
Não tens perdão
Já vês as coisas
Com os olhos no chão
Solta-se o grito
Só dizes que não
Andam as coisas ao contrário
São avarias no cérebro
Aventuras no corpo
Nada te toca
Nem choca
Cabeça oca
Difusa
Di fiúza
Cala-te boca
Que o teu pai morreu
Indo eu a caminho de Viseu
Ai Jesus que lá vou eu
Três vezes eu
Por isso é que te chamam egoísta meu cabrão
Mereces cair redondo no chão
Com textos pacóvios
Sem nenhum palavrão
Pois quem me dera
Ser só amor
Mas as malditas ânsias
Os gritos da guerra
A insatisfação
A penúria
A garganta
O fumo
O ritmo que cresce dentro e que pede para sair
Que é incontrolável
Que é insuportável
Que não consegue ficar
É a cabeça que se coça
São os nervos
As campaínhas
As não-razões
O medo que morreu de velho
Porque envelheceu novo
Avenidas de árvores infantis
Nas quintas distantes
Outono
Tons vermelhos no chão que se pisa
Matéria decomposta origina vida inimaginável
Montanha
Raios de luz por entre as árvores
Uma avenida brilhante e vermelha no meio do nada
Que só os teus olhos comem
Sôfregos
Solitários
Um prazer vazio
Combina-se que não se olha para trás
Mas os olhos nunca olham para a frente
Estão fixos
Palavras inquietas
Um sobressalto constante
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
meus caros leitores,
neste momento estou a sofrer da patologia das datas marcantes
quando as mudanças parece que ganham um significado muito mais profundo do que as simples palavras, mudar de, passar de, avançar para, recuar para, estar em, etc, etc...
o mundo é perigoso
tenho apertos no barriga
não quero dormir
não quero acordar
é o maldito vazio
não sei se a visita me fez bem
ando a pensar demasiado nas coisas e não gosto
preciso de escrever em papel outra vez
preciso de novas linhas
ontem chorei
era preciso
uma insónia insuportável
tempo indefinido
tenho andado demasiado enfiado em textos diarísticos
umbigo
umbigo público
apetece-me caminhar
caros leitores,
este blog vai entrar numa pausa
pausa para balanço
é o que o seu autor precisa
preciso de reflectir coisas
não sei como será o regresso
porque nestas coisas da vida nunca se sabe se há regresso
é como os palcos
esqueci-me do que é ser actor
esqueci-me do que é muita coisa
maldito vazio
é terrível sentir que já não tens nada a perder
é horrível
espero que o pesadelo acabe
silencioso
como se andasse numa espécie de suicídio lento
de extermínio do cérebro
é preciso voltar a ter coragem
não quero mais murros no estômago
não quero que me deixem mais sufocado
em suspenso
houve um momento
momento insuportável
mendigo de vida
abriu-se a porta
alguém saiu
porquê
não compreendo ainda
mas isto não me sai da cabeça
atormenta-me as noites
não me larga
inquieta-me
como se nada tivesse mudado apesar do tempo
que parece que é só tempo
é só tempo
como se o tempo não fosse vida também
este é o meu texto da pausa
estão os blogs em suspenso
eu fechei para balanço
até já
neste momento estou a sofrer da patologia das datas marcantes
quando as mudanças parece que ganham um significado muito mais profundo do que as simples palavras, mudar de, passar de, avançar para, recuar para, estar em, etc, etc...
o mundo é perigoso
tenho apertos no barriga
não quero dormir
não quero acordar
é o maldito vazio
não sei se a visita me fez bem
ando a pensar demasiado nas coisas e não gosto
preciso de escrever em papel outra vez
preciso de novas linhas
ontem chorei
era preciso
uma insónia insuportável
tempo indefinido
tenho andado demasiado enfiado em textos diarísticos
umbigo
umbigo público
apetece-me caminhar
caros leitores,
este blog vai entrar numa pausa
pausa para balanço
é o que o seu autor precisa
preciso de reflectir coisas
não sei como será o regresso
porque nestas coisas da vida nunca se sabe se há regresso
é como os palcos
esqueci-me do que é ser actor
esqueci-me do que é muita coisa
maldito vazio
é terrível sentir que já não tens nada a perder
é horrível
espero que o pesadelo acabe
silencioso
como se andasse numa espécie de suicídio lento
de extermínio do cérebro
é preciso voltar a ter coragem
não quero mais murros no estômago
não quero que me deixem mais sufocado
em suspenso
houve um momento
momento insuportável
mendigo de vida
abriu-se a porta
alguém saiu
porquê
não compreendo ainda
mas isto não me sai da cabeça
atormenta-me as noites
não me larga
inquieta-me
como se nada tivesse mudado apesar do tempo
que parece que é só tempo
é só tempo
como se o tempo não fosse vida também
este é o meu texto da pausa
estão os blogs em suspenso
eu fechei para balanço
até já
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
como se não bastasse tanta treta!!! ando deprimido!!! fónix, que raio de estado para começar o ano. vim de Portugal afectado. houve um momento que me deixou como que num estado inquieto. as marcas do tempo. ando a sentir as marcas do tempo. é fodido. o tempo é fodido. e ainda é mais quando os ritmos são pouco constantes. bem... que se lixe. é preciso viver. cada vez espero menos do mundo.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Não me lembro bem do seu nome. A minha primeira mulher. Rapariga abrutalhada do campo, fresca de carácter, rude no trato, uma mulher de pelo na venta apesar da pouca idade que tinha quando a conheci, sairia aos pais certamente, ou aos avós, ou ao rebanho das cabras que guardava pelo monte fora, porque isto há vidas tramadas e a ela tinha-lhe saído uma, já para não falar que me tinha eu atravessado no seu caminho para a tramar ainda mais. A minha primeira mulher do acaso era uma pastora. Encontrei-a no monte numa das minhas passeatas de quando era mais jovem e me dava para isso, pegava na manta e lá ia eu dormir ao relento, respirar ar puro, beber uma garrafa de tinto mau e comer um pão com toucinho. Era a idade da inocência, tinha lido poucos livros e as politiquices não se me vislumbravam no caminho. Lá ia eu pelo monte acima quando vejo uma miúda que falava maravilhosamente para as cabras. Sempre fui dado a visões românticas, sou assim, mesmo velho que não me cheguem com açúcar que eu derreto, bem, lá ia eu quando dou de trombas com este espectáculo impensável e único, uma moçoila brilhante, no meio do nada, meia descascada do tempo, a falar com cabras, a trata-las por tu. Enfiei-me atrás de uma árvore e fiquei à espreita, via tudo com o meu olhar abutre da mocidade. Via-a cagar e mijar ao relento com a naturalidade do hábito. Invejei-lhe a carne tenra e os poucos pelos que a cobriam. Não podia evitar um encontro que o destino ali tinha proporcionado, que me tinha proporcionado a mim, que ela aqui era um apêndice da minha viagem de mendigo. Ela tinha acabado de sentar-se. Dei uma volta grande para lhe poder aparecer pela frente com a distancia suficiente para não lhe pregar nenhum cagaço. Fartei-me de andar. Estava de frente para ela mas era-lhe ainda invisível. Avanço para ela a esbracejar como quem pede auxílio, ou água, ou uma porcaria qualquer desde que sirva de isco ao jogo maldito que lhe servia numa bandeja fria. Ela consegue finalmente ver-me. Retrai-se. Claro, estava ali com as cabras e há muito bandido por aí. Começo eu a gritar-lhe que não tenha medo, que não tenha medo, que estou só de passagem, ela levanta-se, com o cajado na mão como se estivesse disposta a lutar para se defender, coitada, se lhe quisesse comer a bucha já a bucha estava comida, sempre tive calma nesta refeições e sempre gostei do jogo. Vou falar contigo filha. Vou falar contigo e quando estiveres mais calma dou-te o remédio para a tosse que ando aqui há não sei quantos anos a aguentar os sapos na garganta. Quando estiveres mais relaxada já te digo como se apanham moscas. Chego-me mais perto, com o meu ar inocente de jovem meditativo, ela deve achar-me simpático, baixa o cajado e espera por mim, pergunta o que quero, eu digo-lhe nada, que estava só de passagem e se posso sentar-me um pouco a seu lado, ela diz que sim, está no papo, é desta. Lá nos sentamos. Conversa de treta de quem está no monte. Tudo monossílabos. Como se chama disse-me mas não me lembro. Talvez um nome de flor, ou de bicho, não interessa, os nomes são como as recordações mais parvas, esquecem-se e pronto. Ali estávamos nós sentados quando ela me começa a fazer perguntas sobre coisas íntimas, perguntava e ria-se como se soubesse a resposta mas se envergonhasse de a saber. Eu ia respondendo, claro, estavam lançados os dados, era só comer o que viesse. Passados uns momentos estávamos a falar de beijinhos. Ora, agarro-lhe no braço e espeto-lhe com a língua na boca enquanto a puxo para mim. Ela muito corada lá começa a dar à língua também, com a inocência de quem só ouviu relatos, puxo-a para cima de mim, sento-a nas minhas pernas e esfrego-a com as mãos loucas. Aproveito-me descaradamente da sua inocência. Toma lá dedos. Abro as minhas calças e meto-lhe a mão no meu caralho mais do que contente, no meu caralho inquieto, digo-lhe que o meu pardalinho está contente por vê-la e que quer conhecer a sua passarinha. Ela cora, claro, inocência. Lá lhe destapo as pernas. Pernas de menina. Meia dúzia de pelitos que lhe decoram o papo, tiro-a de cima de mim e deito-a sobre a erva. Digo-lhe que o meu pardalinho quer dar beijos na sua passarinha, entretanto vou-lhe dando beijos com a boca no seu sexo tenro, encosto-lhe o caralho à sua cona virgem e ela diz-me: “é por aí que eu faço xixi”, deita-me ali abaixo a altivez, esmorece-me ali a arrogância do sexo, respondo: “não faz mal”. Dou-lhe mais uns beijos na cona despida, levanto-lhe mais as pernas e meto-lho no cu, não teve tempo de dizer nada, deve ter mordido os lábios. Vim-me como um louco dentro de si. Era a primeira vez de ambos. Eu já tinha tido várias companheiras, as mãos muitas vezes, o roçar-me nos sítios até me vir enquanto pensava nas minhas estrelas de cinema preferidas da altura, muitas foram minhas sem o saberem. Mas esta, que eu agora não me lembro do nome foi a minha primeira de carne, não digo real, também as outras tinham sido reais, digo de carne. Vim-me no cu dela. Ela não chorou. No fim perguntou-me se era aquilo que os adultos faziam, eu disse que alguns sim, que outros preferiam apenas esquecer e fechar os olhos enquanto aquilo durava, que para muitos aquilo durava o tempo de uma eternidade aborrecida. Estava a ficar escuro. Tinha de voltar, ela, eu por ali ficaria. Disse-me: “vamos voltar a encontrar-nos?”, eu digo-lhe que só se ela quiser. Ela disse que sim. A minha primeira mulher de consentimento. A primeira que me disse sim, aquele sim que se imagina nas idades da mudança. Voltámos a encontrar-nos várias vezes. Descobrimos o sexo juntos. Fodemos de todas as maneiras e feitios. Cuspimos várias vezes o outro da boca e limpámos o outro outras tantas vezes do sexo, escorremo-nos pelas pernas abaixo enquanto íamos para casa. Era bom. Mas a vida... o monte... o mundo... na verdade o que nós tínhamos era amor, talvez um amor rude, mas o amor não tem de ser delicado, chegávamos e fodíamos e até à próxima vez. Estes tempos arrastaram-se muitos tempos. Já era quase natural. Ela fazia parte da minha vida de poeta, musa das minhas palavras de vento e de chuva, imagem perfeita da beleza pura, inocente, minha, de nada. Um dia passo e vejo-a na fonte a falar com um rapaz, bem vestido, mais novo que eu. Aproximei-me deles e falei-lhe a ela. Ele foi-se embora. No dia seguinte a mesma coisa. No terceiro dia mesmo no momento em que eu chegava ela diz alto para que aquilo soasse nos ouvidos dos três presentes: “Bruno”, nunca mais esqueci este nome, “Bruno, vamos embora que eu não conheço este senhor.” Matou-me ali. Morri uma boa parte de mim nesse dia e eu era ainda novo. Aquela negação pública do amor. Não foi o eu ter sido maltratado na frente de um engravatadinho que a merecia mais do que eu, foi o sujar de uma coisa que era na minha cabeça limpa, foi o acabar da esperança, da descoberta, foi o início desta feitiçaria malvada que não me deixa ter respeito nem acreditar que as mulheres amem. As mulheres querem ser bem fodidas e acreditar em sonhos. Não há cá descobertas. A beleza está na cabeça dos homens. A mulher consegue foder e pensar na cabra que lhe foge naquele momento, não é por mal, consegue fazer isso porque o seu corpo lhe permite. O homem, por muito que queira cumprir calendário... se não levanta o membro é porque não levanta o membro, o homem não tem grande capacidade de esconder o desejo ou o não desejo. É também por este facto que as mulheres conseguem ser mais dissimuladas que os homens, são mais capazes de apunhalar por trás, de esconder tudo até já não haver regresso, de aguentar a foda de um enquanto preparam a cama do outro. Depois desse dia comecei a segui-la sem que ela notasse, encontrava-os nos mesmos sítios em que os dois tínhamos estado, imagens em que nem eu acreditava, ela controlava-lhe os movimentos, encostava-o a árvores e chupava-o até que lhe saíssem todos os órgãos pela ponta do caralho. Como me doíam aquelas imagens, ainda hoje me doem. Mas mesmo assim eu não a largava do olhar, queria saber tudo, investigar tudo, como se precisasse de um termo de comparação, como se precisasse de me provar que eu era melhor que esse Bruno, rapaz finório com tiques de boa educação, cheio de promessas de boa vida no palavreado rebuscado. Passados uns meses andava ela com uma barriga que para todos era considerada uma doença. Ele não quis casar com ela, deixou-a por ali, com uma barriga doença, ela suicidou-se uns tempos depois. A minha mulher que eu não lembro o nome nem me esforço por lembrar. Chorei a sua morte como ninguém sem que alguém percebesse o porquê. Eu era o louco de serviço. Deixei a minha terra e fui para a cidade grande. Precisava de viver. Muito vivi. Mas nunca me saiu da cabeça a pastora. A pastora que eu amei secretamente, um amor impossível como qualquer grande amor. Depois vieram outras mulheres. Mulheres mulheres. Corpos despidos nas noites húmidas. Corpos que se escorriam pelas pernas. Sempre um vazio. Um sexo arrogante com um prazer louco. Descobri drogas. Descobri textos. Descobri gente. Os tempos agora são outros. Estou velho. Vivo de memórias. A pastora que amei como quem ama a vida. A pastora com quem fodi na descoberta que queria foder com esquecimento. Que queria perder o ritual, a nossa bandeira, o nosso amor puro. Ela tinha catorze anos. Eu tinha vinte e cinco. Idade da nossa morte prematura.
domingo, 28 de dezembro de 2008
bem, lá passou o Natal na terra, os dias loucos, os exageros diversos da quadra e dos amigos, as arrelias do costume com as coisas do costume. muita coisa que vem para ser pensada. muita coisa que se torna insegura. chega-se a pontos em que não se sabe qual é o ponto em que se está, tenta chegar-se à conclusão que se está no mesmo mas a verdade é que não, tudo se desgasta. é caso para dizer: merda. mas não venho chateado nem triste, venho frustrado, é assim. sem desenvolvimentos de maior na vida. que tenham todos uma época festiva muito boa.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
poema
o meu nome é um enigma. chega de falar de mim. era uma vez uma história. havia ouro nos bosques. crescia nas árvores e apanhava-se no chão. se não tinhas cuidado ao beber a água límpida engasgavas-te com as pepitas livres que te raspavam na garganta. o ouro nos bosques... bela história. era o tempo do ouro. e depois de um tempo vem outro. e depois desse outro. e depois desse vem outro. e assim por diante até à última estação. no meio do mundo há um rapaz preso num tempo. vários rapazes. raparigas. cada um preso no seu tempo. todos esperam a sucessão cíclica da idade. todos com o bosque de ouro na cabeça. com a inocência. o amor. a liberdade. no meio do mundo há um esquecimento. há vários esquecimentos. palavras que voam. músicas que soam. imagens que entram pelos olhos dentro. que batem no fundo do despertar. os nomes são enigmas porque a vida se vai tornando num enigma. em diversos enigmas. os bosques em que há ouro. alguns. ardem. tornam-se silenciosos. o ouro lá anda ainda mas não cai das árvores. já ninguém bebe a água cinza dos regatos. o ouro está lá só como uma semente de alguma coisa preciosa mas já indefinível. está como uma semente de magia. como um recordar ardente. incendiado. exposto. palpitante. à espera da luz. do tempo seguinte. de uma nova melodia que vibre para as árvores. por entre as árvores. com o sol lá fora. em cima. a bater confortável e quente. deitados na erva miúda e fresca das manhãs. a comer maçãs. laranjas. a beber a água límpida que corre até parecer não ter fim. os risos soltos. a campainha da escola ao fundo. o cheiro a café quente. os lençóis frescos do amor. aquele beijo. a memória das mãos nas mãos. das cartas. dos poemas tontos. de chorar de alegria. de chorar de tristeza. do chorar só chorar. do rir. o ouro no bosque é uma casa. vermelha como as casas dos bosques. nada mais tenho a dizer.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
fazer teatro?
há várias razões e todas elas são construções imaginárias. a primeira é porque se começou e se chegou a uma altura em que se lá estava. esse é o início do problema. é aí que começam as razões que decorrem desse acto inconsciente. o teatro aparece. depois está-se nele. depois justifica-se a permanência. a minha primeira razão é porque me vejo como o centro do meu problema e procuro mais respostas do que resoluções. enquanto vou procurando mais respostas mais problemas encontro. é um ciclo. a segunda razão tem uma ligação com uma perspectiva do mundo. aqui tenho sido claro. é a dramaturgia do mundo que interessa. não é que o mundo seja interessante para a cena, é que o mundo é tão pouco interessante que é importante passar a vida a desmascará-lo. desmascará-lo funciona aqui em sentido inverso com o que se imagina do teatro. há quem prefira mascará-lo. há quem use máscaras para voltar ao centro da vida e há quem prefira anular a vida e destruir as máscaras. tudo isto é teoria. realmente, chega-se a um ponto em que não se percebe o que se faz no teatro!!! pior, chega-se a um ponto em que não se sabe se se está no teatro!!! ela anda lá, mas as distâncias, o entorpecimento, o vazio, o não desenvolver problemas!!! é que o não desenvolver problemas é o caminho errado do teatro. fazer teatro é procurar os problemas. já não se trata de enfiar a cabeça no mar das respostas. não há respostas nenhumas. há formas. há perspectivas. há estéticas. o teatro pode muito bem ser virado para dentro. pode ser um enigma individual. muito provavelmente sou muito melhor no teatro do que o que sou na vida... é assim... é a sina!!! porque há questões de sina!!! já nem tenho paciência para joguinhos. o teatro que quero fazer é um teatro assumidamente filosófico, estou-me nas tintas para que seja compreensível, há tanta coisa que não o é, e estou a falar de mim, quantas e quantas vezes não fui eu já incompreensível??? nas minhas atitudes rasteiras, na minha sacanice, na minha velhacaria??? já lhes perdi a conta. e depois tenho as minhas influências reles no mundo artístico... as poesias... os gajos das rupturas... é difícil viver assim... por incrível que pareça vou voltar a fazer o Dostoiévski!!! já ando a meditar o crime!!! já sei que vou voltar ao buraco negro e fundo e que neste momento sinto-me verdadeiramente pronto para o fazer!!! sem falsas modéstias ou arrogâncias!!! neste momento sinto aquele ritmo, aquela palpitação, aquele remoer interno. é um espectáculo que podia ser feito todo numa língua estranha, só com sons do fígado!!! ser actor, para mim, é ter uma necessidade de se lavar. é como quem escreve para exorcizar fantasmas de dentro. a única coisa que aqui poderá parecer estranha é o porquê mostrar uma coisa assim tão egoísta??? é fácil, porque sem o público não seria experiência. sem o público não seria um exorcismo/sacrifício, na verdade o teatro está a um passo do suicídio, é um jogo perigoso, quanto mais perigoso for para quem o faz mais interessa a quem o vê. a história está contada. a Castro: há uma mulher que é morta numa determinada circunstância, quanto mais absurda for a circunstância, mais absurda é a morte da mulher, mais absurda é a solidão dos que ficam, não há rodeios nenhuns no argumento, há linhas de força, uma linha política, uma linha humana, coisas que se perdem e coisas que se ganham, mas a verdade da história é a morte da mulher, só isso é que interessa. no Subterrâneo (nova e mais uma versão), há um marmanjo que está acabado num buraco, a história não é o porque é que ele está acabado, a história é o como é que ele está acabado e diz o que diz!!! com a boca cheia!!! como se tivesse um orgulho secreto no que atingiu, ou não atingiu. fazer teatro é, para mim, simplificar coisas que eu não sei fazer na vida. para mim, é tudo muito mais claro num palco, as linhas são mais rectas, talvez menos interessantes... mas é o que sei... queria era um grupo de actores dos que comessem a madeira e uma sala que eu logo havia de gritar, sobem-me já uns calores, umas ânsias, umas angústias!!! tanta gente sem nada para dizer que se pavoneia por aí, pelas estreias parvónias, que até metem asco com as figuras que fazem... ai... até fumo!!! uns bananas... com a boca cheia de ar, que só querem é dormir sossegados, ir de férias relaxar, dizem uns disparates uns para os outros, riem-se todos, palmadinhas nas costas, fazem umas cenhangas a piscar o olho à moda e ao ministério... era metê-los a carregar baldes de massa logo às sete e meia da manhã que até haviam de ganir!!! e podem muito bem enfiar os prémios que tiveram ou que querem ter pela goela e morrer com eles atravancados na garganta que só conhecem para mandar papaias para o ar, cambada de ciclistas, com o paleio da esquerda unida, meteis-me fastio!!! ai ai ai... qué vivan las vacaciones del teatro!!! na semana passada estive a falar com uma actriz daqui, de vez em quando acontece-me, ora diz-me ela depois de uma converseta bem disposta, boa sorte!!! disse-lhe logo: tu é que precisas, eu estou de férias!!! e, umas semanas antes, ela tinha ido ao restaurante e tinha pedido uma água!!! e eu contei-lhe a piada: sabes o que diz um actor empregado a um actor desempregado??? e ela, não!!! e eu: traz-me uma água!!! hehehe que parvo... mas então... dá-me para isto... o que é certo é que qualquer dia vou ver um espectáculo seu e sei que me vou enervar!!! eu sei... estas coisas enervam-me!!! também a mim tudo me enerva!!! sou um bocado explosivo, fervo em pouca água e por aí em diante... mas hei-de fazer o quê??? enervo-me!!! isto é um problema que eu tenho de resolver sozinho, não vale a pena pedir ajudas. hei-de chegar a um ponto em que me esteja nas tintas, em que aprenda a relativizar, mas até lá... vou fazer o quê? ando aqui carregadinho de ideias, cheio de ânsias, o mundo a girar, eu a girar no mundo, nem sempre os dois na mesma rotação... ó pá, é tramado... mas é o que há. é o que há. sabem o que vos digo? sinto-me velho e cansado. e ainda nem aos trinta cheguei... ele há vidas miseráveis...
por favor, acabem as obras!!! só me apetece gritar. sobem-me logo umas ânsias pela manhã. desato logo a fumar, a fumar, a fumar. a dizer mal do mundo. aquelas marteladas. as maquinarias que parecem metralhadoras... que fastio!!! que já tudo se me enerva. se me fazem ir aí dou-vos umas cabeçadas. chamem a polícia se quiserem. chamem quem quiserem. deixem-me dormir um dia descansado!!! parece que estão a deitar as paredes abaixo. ai que nervos!!! acabem com isso. é com cada salva... só me apetece é tomar comprimidos para esquecer, ou para dormir, ou o que é...
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
só te conheço as linhas. apareces-me em sonhos como algo que voa. sou outra vez criança e não tenho vocabulário. o tempo está parado. já sabemos o que se passa. é o tempo. as coisas movem-se. o toque nos braços. a voz da tua ausência que me deixa incomodado. silêncio quase mortal. espécie de futuro cego. distância. língua. escrever coisas sem o domínio do vocabulário das coisas. um sonho que aparece nos dias frios. que eu não quero que evapore.
sábado, 13 de dezembro de 2008
pois, meus santos, nem sei o que vos diga, o Barça lá ganhou... são as novidades nada novas que tenho. de resto... se passasse menos tempo na internet à espera de coisas já tinha mais amigos e amigas. uma seca. espero não me enervar este natal. ainda que me enerve sempre... mas pronto... espero não me enervar. pelo menos que não me enerve muito. não ando com espírito para me enervar. estou demasiado solto. muita coisa mudou. sinto-me eléctrico. com umas ânsias. até tenho medo. até tenho medo. é que se elas aumentam... é uma seca. é mesmo uma seca. hoje no metro decidi começar a fazer exercício, vou começar a correr. é que sinto os músculos tensos. cheios de energia para explodir. a precisar de guerra. foda-se. não me lixem. que não me lixem desta vez. sei lá eu o que é voltar.
Cadernos de Barcelona
já dormi. o corpo pronto para mais. é o entorpecimento. as questões. o teatro mental que parece não querer ser mais físico. a capacidade de resistir. de desistir. de existir. de insistir. a casa que não vem. a terra longe que cada vez é menos terra e mais bichos.
ontem no restaurante estive a falar com uma família. o pai disse que ia passar uns meses a Portugal. falámos de música. ele conhecia-os todos menos o José Mário Branco. apontei-lhe o nome num papel. saíram encantados e a dizerem obrigado. muitos saem dali a dizer obrigado. é importante servir bem. a mãe perguntou-me o que tinha eu feito no Porto. eu disse teatro. o filho espantou-se. o pai disse é o mesmo que aqui estás a fazer. eu ri-me. eu disse que ficava mais um bocadinho a falar mas não podia que tinha gente a olhar para mim.
estou mais velho. é normal. desde que se nasce que se começa a envelhecer.
faço disparates infantis. digo muitos palavrões. falo sozinho. canto.
quero ter uma banda. tenho saudades da minha música e dos meus livros.
gostava de eliminar tudo o que fiz até hoje a nível artístico e ando a meditar possibilidades para apagar essa história. gostava de ter sido nada. não me orgulho propriamente de nada. só de algumas participações.
vou acabar o ano em modo balanço e isso enerva-me.
estou mais magro. estou mais magro. estou mais magro porque como pouco. como pouco porque tenho preguiça de comer.
tenho cada vez menos coisas para dizer. muita gente achará isso fantástico. eu não acho nada.
merda para o inverno, esse velhaco.
ontem no restaurante estive a falar com uma família. o pai disse que ia passar uns meses a Portugal. falámos de música. ele conhecia-os todos menos o José Mário Branco. apontei-lhe o nome num papel. saíram encantados e a dizerem obrigado. muitos saem dali a dizer obrigado. é importante servir bem. a mãe perguntou-me o que tinha eu feito no Porto. eu disse teatro. o filho espantou-se. o pai disse é o mesmo que aqui estás a fazer. eu ri-me. eu disse que ficava mais um bocadinho a falar mas não podia que tinha gente a olhar para mim.
estou mais velho. é normal. desde que se nasce que se começa a envelhecer.
faço disparates infantis. digo muitos palavrões. falo sozinho. canto.
quero ter uma banda. tenho saudades da minha música e dos meus livros.
gostava de eliminar tudo o que fiz até hoje a nível artístico e ando a meditar possibilidades para apagar essa história. gostava de ter sido nada. não me orgulho propriamente de nada. só de algumas participações.
vou acabar o ano em modo balanço e isso enerva-me.
estou mais magro. estou mais magro. estou mais magro porque como pouco. como pouco porque tenho preguiça de comer.
tenho cada vez menos coisas para dizer. muita gente achará isso fantástico. eu não acho nada.
merda para o inverno, esse velhaco.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
domingo, 7 de dezembro de 2008
realmente há coisas... que meu deus... eu já sei que sou intempestivo, intempestivo é uma palavra horrível, mas quero que se lixe, apetece-me escrever mal e porcamente. há coisas que nem sei como acontecem e nem me quero debruçar muito sobre elas. ando facilmente enervável. vou fazer o quê? nada. enervo-me e pronto, já está, estou enervado, nada a fazer, sou um choninhas. um choninhas enervado. quem me dera ter a capacidade de mandar basófias, seria muito mais feliz, chegava e basofiava, tinha o rei na barriga e vomitava-o de vez em quando. este texto não tem tema. é apenas um rol de fonfonfon pseudo-velhaco. apetece-me dizer mal de coisas. eu tenho estas ânsias e estes apetites. engalfinho-os num caldeirão e zungas cá para fora como uma cuspidela azeda e amarga no formato que assume. ó pá, vou fazer o quê??? sou tonhé!!! sou tónhó!!! sou o que sou, uma treta. olhem, porras para a auto-estima. hei-de fazer o quê? não há retorno. andava aí no fonfonfon do teatro e o caneco, ah e tal e sou o maiór e o diabo a quatro... nada de respostas nem de propostas nem de promessas, eu sou um gajo que precisa de promessas, eu sou um paspalho com a vida ao contrário que precisa de promessas. promessas nada, aceitação. eu não gosto de guardar muito as coisas parvas. eu não tenho medo de carregar nada. só me apetece é ganir, mas ganir alto. um dia meto uma anilha daquelas no nariz, hei-de parecer um porco. juro. é uma tatuagem e um arganel. tatuagens não, tatuagens dão-me seca. só me apetece dizer mal de mim. hoje o Miguel Rainha e a sua malta Pinos Custódios e o caneco que estejam descansados, depois continuaremos nesse programa, hoje quero dizer mal de mim. fónix. é um direito que me assiste. caloteiro, chóninhas, cobardolas, tretinhas, merdicinha, é ganir que me apetece, enfiar uns não sei quantos copos de cianeto e zungas, acordar depois!!! acordar? nicles!!! quero lá eu acordar!!! ontem houve um rapaz que disse que não gostava de me ver no cimo da varanda na posição em que eu estava, claro, estava na posição ideal para o suicídio!!! mas eu quero lá agora suicidar-me??? era o que mais faltava!!! então depois como é que me ria da desgraça??? o suicídio é um aborrecimento e só dá trabalho!!! alguém tem de devolver os livros, pagar as contas, contar à namorada, só chatices, eu não quero morrer. no fundo eu curto este estado de coisas, para já, gosto de trabalhar. e até aqui vou ser lamechas, mas gosto de trabalhar com as pessoas que trabalho. e tenho as minhas falhas, claro. olhem, hoje só quero é ganir. estive um bocadinho no Raval e ainda estava mais aborrecido que eu. seca das secas. é fugir para casa e esperar um mail no computador... mas nada. já ninguém escreve a ninguém. é uma seca. raios partam o messenger. cá fumo uns Fortunas, a puxá-la, daqui a pouco vou temperar um conejo e está a andar. eu, ao fim e ao cabo, gosto de dias em que estou enervado, fico mais desperto. estar desperto é bom. acorda-se enervado. anda-se enervado. ri-se enervado. olhem, tudo nos enerva!!! hahahaha tudo nos mete fastio!!! e está a chegar o Natal, menos mal, o pior para mim sempre foi a Páscoa!!! com as amêndoas e o coelhinho!!! e é daquelas alturas do ano em que tudo me corre mal, antes da Primavera. a Primavera sim, a Primavera é a puxá-la toda. o Verão... eu não gosto do Inverno. preciso de sol. sol é fixe. ahhh e deixem que vos conte, ando com o vício da simpatia!!! ando simpático!!! detesto. ajudo pessoas no metro a carregar malas e tudo!!! que banana!!! é para colmatar as falhas, dirão alguns!! mas desde quando as minhas falhas têm possibilidades de ser colmatadas??? não têm!!! eu sou um rato, esta roubei ao Dostoiévsky, um insecto!!! e mesmo não gostando de o ser, ainda me consigo divertir no meio da minha treta!!! mas hei-de fazer o quê??? as contas vão-se pagando... a da segurança social não, nem quero pensar nisso e quero que esses senhores se lixem que é o melhor que fazem, a segurança social não pago, nem pensar, era o que mais faltava. eu qualquer dia quero ser é espanhol!!! isto de ter fronteiras... a fronteira é a comida, os amigos, a família e a selecção de futebol!!! depois disso tudo é história. a língua... a língua é uma coisa que não tem terra. bem, já desabafei hoje. mando aqui abraços mais uma vez aos que contam.
só me apetece ouvir The Smiths!!! nunca o tal!!! até estou a escrever um post sobre isto, imaginem lá o nível em que esta questão se põe!!! ando pelo metro a cantarolar na cabeça, é na rua, é em todo o lado, não me largam. ontem estava cheio de vontade de ir a um qualquer lugar em que pudesse dançar, apetece-me dançar The Smiths, que nervos... é aquela voz de angústia e de raiva e de sensibilidade que atinge a cabeça, sacana do Morrissey, o gajo é que a sabe toda. The Smiths era a banda perfeita, a música deles tem uma classe do caraças, é altamente. mas é que não me saem da cabeça. aqui vai mais uma e não me levem a mal:
sábado, 6 de dezembro de 2008
desabafo hermético
este mundo tem coisas que não deixam de surpreender. pior que as falsas modéstias só mesmo a arrogância inconsciente. falsas modéstias, pronto, um gajo sente-se pouco solto e cora um bocadinho e faz-se pequeno, a arrogância inconsciente é muito pior, é de uma tontice que vai lá vai. vou aqui roubar uma coisa ao Dostoiévsky, a basófia, os gajos que enchem a boca para dizer os maiores disparates como se fossem verdades absolutas, eu até me passo. até admito que sou um bocadito burro e fragmentado mas não me atirem areia tão grossa para os olhos. é que até me deixam sem saber o que dizer, fico digamos que encavacado. ontem deixaram-me assim, até me encolhi, olhei para o tecto e contei candeeiros. um objecto artístico não tem limites no desenvolvimento. tem limitações de tempo e de espaço que lhe dão a sua resolução final. essa resolução será sempre a sua forma mais perto da forma ideal. ora bem, no meu trabalho como criador acontece-me sempre não ficar contente com nada e até me acompanha sempre uma certa frustração porque há sempre fragilidades que tomam um grau de preocupação muito maior que o lado positivo. por muitas conquistas que se tenham as pequenas derrotas custarão sempre mais. é assim. quando me perguntam como está o espectáculo eu ganho sempre uma vergonha qualquer nessa altura, é como a minha vergonha nos agradecimentos, não tenho jeito nenhum para a parte dos agradecimentos. enfim... mas não quero falar disto. aqui fica este desabafo que não diz nada. só não quero é que me fodam a cabeça com palermices si us plau.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Subscrever:
Mensagens (Atom)


